O Presidente da República, António José Seguro, alertou hoje que a liberdade “desaparece aos poucos”, e não de uma só vez, e defendeu transparência quanto aos donativos políticos e o escrutínio das novas tecnologias.

Na sua primeira intervenção como Presidente da República no 25 de Abril, António José Seguro defendeu também justiça célere, prioridade ao combate à corrupção e criticou as desigualdades salariais entre homens e mulheres.

Centrando o seu discurso na importância da liberdade nos vários domínios da sociedade, o chefe de Estado defendeu que “a liberdade também exige responsabilidade e instituições íntegras” e “transparência no exercício dos cargos públicos”, e tomou posição no atual debate sobre o acesso à identidade de quem faz donativos políticos.

“A transparência nos donativos políticos é essencial para garantir uma democracia saudável e justa. Quando o financiamento é claro e acessível, os cidadãos conseguem compreender quem apoia quem e com que interesses. Tornar públicos os donativos não é uma questão administrativa, é um compromisso com a ética e respeito pelos portugueses, porque onde há opacidade cresce a suspeita, onde há clareza fortalece-se a legitimidade”, argumentou.

No seu primeiro discurso numa cerimónia do 25 de Abril como Presidente da República, António José Seguro, dirigiu-se aos jovens e pediu-lhes que sejam protagonistas, não espectadores, e estejam atentos em defesa da democracia, para que não se perca.

“Hoje, quando vemos a democracia ser testada dentro e fora das nossas fronteiras, não podemos hesitar: ou a defendemos com coragem, ou arriscamo-nos a perdê-la em silêncio”, declarou.

Na parte final da sua primeira intervenção, falou diretamente para os jovens, a quem pediu que “não sejam espectadores da democracia, sejam protagonistas” e “não se resignem, não se calem, não desistam”.

“Está nas vossas mãos defendê-la nos gestos concretos do dia a dia: quando recusam a desinformação e procuram a verdade; quando enfrentam o discurso de ódio com coragem; quando participam na vida democrática, votando, debatendo, exigindo; quando não aceitam a corrupção como inevitável; quando lutam por igualdade de oportunidades – para vós e para os outros”, disse-lhes.

O Presidente da República referiu que “a liberdade que hoje vivem foi conquistada com coragem, sacrifício e, em muitos casos, com vidas interrompidas” e aconselhou os jovens a que “não a tratem como garantida”, porque a História ensina o contrário “e o presente, em tantas partes do mundo, confirma-o todos os dias”.

“Cada geração tem o seu teste. Este é o vosso: garantir que a liberdade não enfraquece, não recua, não se perde. Cuidar da liberdade é exercê-la com coragem, é defendê-la com determinação, é transmiti-la inteira, e mais forte, à geração seguinte”, acrescentou.