O Gabinete do Procurador dos Estados Unidos, de Nova Iorque, acusou, na quarta-feira, o funcionário da Google, Michele Spagnuolo, com o pseudónimo “AlphaRaccoon”, de gerar ganhos superiores a 1,2 milhões de dólares (um milhão de euros à taxa de câmbio atual), no mercado de previsão Polymarket, com base em informações comerciais confidenciais (insider trading).
“O Procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova Iorque, Jay Clayton, e o Diretor Adjunto Responsável pelo Gabinete de Campo de Nova Iorque do FBI, James C. Barnacle Jr., anunciaram hoje [quarta-feira] a divulgação de uma queixa contra Michele Spagnuolo, também conhecido por ‘AlphaRaccoon’, engenheiro de software da Google, por fraude de mercadorias, fraude eletrónica e branqueamento de capitais decorrentes do seu esquema para se apropriar indevidamente de informações confidenciais do seu empregador e utilizar essas informações para realizar uma série de negociações lucrativas relacionadas com a Google numa plataforma de mercado de previsão. Spagnuolo, que reside na Suíça, foi hoje [quarta-feira] apresentado perante a Juíza Magistrada dos Estados Unidos, Sarah Netburn, no Distrito Sul de Nova Iorque”, refere o gabinete do procurador.
O procurador norte-americano, Jay Clayton, disse que as acusações, realizadas na quarta-feira, “reforçam” uma mensagem com décadas. “Os executivos das empresas não podem utilizar informações comerciais confidenciais para obter lucro nos nossos mercados. Como alegado, Spagnuolo violou os deveres que tinha para com o seu empregador e utilizou informações comerciais confidenciais da Google para obter mais de 1,2 milhões de dólares (um milhão de euros) em lucros com as negociações na Polymarket. O uso de informações privilegiadas compromete a integridade dos nossos mercados, e o povo americano quer que esta conduta movida pela ganância seja investigada e processada”, afirmou.
“Michele Spagnuolo terá abusado do seu acesso privilegiado a tendências confidenciais para fazer apostas com informações não públicas e receber mais de um milhão de dólares (860 mil euros) em lucros ilícitos. O FBI continua empenhado em encontrar burlões que traem os seus empregadores para obter ganhos financeiros pessoais”, acrescentou o Diretor Adjunto do FBI, James C. Barnacle Jr.
O gabinete do Procurador remeteu também para a acusação que foi divulgada pelo tribunal federal de Manhattan.
“Spagnuolo é engenheiro de software na Google. Em função do seu cargo, Spagnuolo teve acesso aos sistemas de dados internos da Google, incluindo uma ferramenta de software interna que lhe dava acesso a dados confidenciais e não públicos. Esta ferramenta de software exibia um aviso que dizia, em parte, ‘Google Confidential’ a vermelho. De facto, Spagnuolo certificou o seu conhecimento de diversas políticas de confidencialidade e ética da Google. Spagnuolo criou uma conta na Polymarket, um mercado de previsões, em maio de 2024. Esta conta era conhecida como ‘AlphaRaccoon’. Logo após aceder às informações internas da Google, Spagnuolo utilizou a conta AlphaRaccoon para realizar negociações em diversos mercados na Polymarket. No total, de aproximadamente 15 de outubro de 2025 a aproximadamente 4 de dezembro de 2025, Spagnuolo utilizou a conta AlphaRaccoon para arriscar aproximadamente 2.754.092 dólares (2,3 milhões de euros) em mercados relacionados com informações internas da Google. Logo após a divulgação pública da informação da Google e a estabilização dos mercados, a conta AlphaRaccoon de Spagnuolo lucrou aproximadamente 1,2 milhões de dólares (um milhão de euros) com base na utilização de informação privilegiada em apostas feitas na Polymarket”, referiu o tribunal.
Posto isto Spagnuolo, de 36 anos, cidadão italiano residente na Suíça, “é acusado de um crime de violação da Lei da Bolsa de Mercadorias (Commodity Exchange Act), que prevê uma pena máxima de 10 anos de prisão; um crime de burla eletrónica, que prevê uma pena máxima de 20 anos de prisão; e um crime de branqueamento de capitais, que prevê uma pena máxima de 20 anos de prisão. Este caso está a ser conduzido pela Força-Tarefa de Fraudes de Valores Mobiliários e Commodities do FBI. Os procuradores federais adjuntos Thomas Burnett, Ryan B. Finkel e Allison Nichols estão encarregues da acusação.”, salientou o gabinete do Procurador.