De Mário Soares a Cavaco Silva: os recordes (positivos e negativos) que marcaram as presidenciais
Nos 50 anos de história de eleições presidenciais, as mais renhidas foram as de 1986, na qual Mário Soares derrotou Freitas do Amaral por apenas 150.622 votos e por uma percentagem de 51,3% contra 48,7%. Todos os presidentes eleitos para um primeiro mandato (Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa) foram reeleitos e todos, à exceção de Ramalho Eanes, tiveram uma maior percentagem de votos válidos na sua reeleição, com Mário Soares a ser quem mais cresceu, em 19 pontos percentuais.
A eleição em que participaram mais eleitores foi a de 1986, em que Mário Soares venceu Freitas do Amaral à segunda volta: 5.953.085, uma taxa de participação de 77,99%, votaram na segunda volta deste escrutínio presidencial.
A que menos eleitores (4.214.432) mobilizou foi em 2011, para a reeleição de Cavaco Silva, com 52% dos votos. Entre aqueles que perderam, apenas quatro repetiram candidatura: Otelo Saraiva de Carvalho, Manuel Alegre, Marisa Matias e Vitorino Silva – todos tiveram uma menor votação na segunda tentativa.
Portugal teve a primeira mulher candidata à Presidência da República em 1986 – Maria de Lourdes Pintassilgo. Em 2016, entre os 10 candidatos concorreram duas mulheres – Maria de Belém Roseira e Marisa Matias. Em 2026, entre os 8 candidatos apenas concorreu uma mulher – Catarina Martins.
Foi a 27 de junho de 1976 que se realizaram as primeiras eleições presidenciais da democracia.
Apoiado pelo PS e pelo PPD, o vencedor foi o general Ramalho Eanes, seguido, de forma surpreendente, por Otelo Saraiva Carvalho. António Ramalho Eanes conquistou a maioria absoluta à primeira volta com 61 por cento dos votos. Tratou-se de um vitória esmagadora sobre os restantes três candidatos nomeadamente Otelo Saraiva de Carvalho (16,46%), José Pinheiro de Azevedo (14,37%) e Octávio Pato (7,59%).
As presidenciais de 1980, as segundas eleições democráticas após a revolução de 1974, foram as últimas em que um militar se candidatou às mesmas – Eanes voltaria a vencer com 56,44%. Em 1986, Soares com 51,18% derrotou Freitas do Amaral (48,82%), numa segunda volta decorrida em fevereiro de 1986. Mais tarde, em 1991, Soares voltaria a ser reeleito com uma vitória esmagadora sobre Basílio Horta e Carlos Carvalhas.
Entre 1996 e 2006, Jorge Sampaio ocupou a Presidência da República, tendo conseguido 53,91% dos votos frente a Cavaco Silva (14 janeiro de 1996). Cavaco seria eleito em 2006 (50,54%) e 2011 (53,14%), batendo Manuel Alegre com larga margem em ambas as eleições (20,74% e 19,67%). Em 2016, Marcelo Rebelo de Sousa atingiu 52% dos votos contra os 22,88% de Sampaio da Nóvoa.
Marcelo Rebelo de Sousa, que agora se despede da Presidência da República após atingir o limite de mandatos, foi o único outro chefe de Estado que conseguiu ultrapassar a barreira dos 60%: na sua reeleição, há cinco anos, foi a escolha de 60,66% dos votantes.