A indústria automóvel europeia poderá estar perante o maior processo de reestruturação da sua história moderna, numa altura em que a Volkswagen pondera encerrar quatro fábricas na Alemanha e eliminar até 100 mil postos de trabalho. A análise é da XTB, que considera que as dificuldades da fabricante alemã refletem problemas estruturais que afetam todo o setor.
Segundo a corretora, os planos em análise incluem o encerramento das unidades de Hanover, Zwickau, Emden e da fábrica da Audi em Neckarsulm. A notícia provocou uma forte reação nos mercados financeiros, levando as ações da Volkswagen para mínimos de 16 anos.
De acordo com a XTB, a dimensão da reestruturação supera processos históricos, como o da General Motors durante a crise financeira de 2009. Além da redução da força de trabalho, a fabricante alemã prevê cortar em 15% o investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) ao longo dos próximos cinco anos.
A empresa considera que os elevados custos de produção na Alemanha e a rigidez do mercado laboral são apenas parte do problema. A principal preocupação reside na quebra das vendas e na perda de quota de mercado, particularmente na China, onde a Volkswagen caiu para a terceira posição, atrás das fabricantes chinesas BYD e Geely.
Para a XTB, a situação da Volkswagen levanta dúvidas sobre a capacidade de resistência do restante setor automóvel europeu perante a crescente concorrência asiática e a aceleração da transição para a mobilidade elétrica.
Entre os principais construtores europeus, a Stellantis continua a ocupar uma posição de destaque no mercado, mas enfrenta dificuldades na adaptação aos veículos elétricos e uma procura mais fraca pelos modelos de combustão interna de gama mais acessível. A necessidade de competir através de reduções de preços poderá pressionar as margens de rentabilidade do grupo.
Já a BMW surge, segundo a análise, como um dos fabricantes mais resilientes, conseguindo contrariar a tendência de desaceleração e registando um crescimento sólido nas matrículas na Europa.
A Mercedes-Benz mantém igualmente um desempenho positivo, apoiado pelo crescimento em mercados periféricos, como Portugal. Ainda assim, a marca não escapa aos efeitos da desaceleração económica na China, que já levou à revisão das perspetivas de lucro para o segmento premium.
A Renault, por seu lado, tem conseguido enfrentar o contexto adverso graças à aposta em marcas de baixo custo, como a Dacia, e ao desenvolvimento de parcerias na área dos motores híbridos. Apesar disso, a XTB alerta que a crescente presença de fabricantes asiáticos no segmento de entrada continua a representar um desafio significativo para o grupo francês.