O ex-líder do PSD, Rui Rio, defendeu esta terça-feira a necessidade de reformas urgentes em Portugal, criticando a falta de coragem do atual Governo para as implementar. Em declarações à Renascença, Rio considerou que a forma de governação atual tem sido ‘responsabilidade’ do eleitorado, que ‘empurra os políticos para aquela promessa imediata’, contrariamente ao que acontecia há 50 anos, quando se ‘votava em modelos de sociedade’.
Para Rio, o sistema político português está refém do curto-prazismo e da lógica eleitoral, impedindo a adoção de medidas estruturais necessárias para o desenvolvimento do país. O antigo líder social-democrata salientou que reformas profundas na Justiça, na educação e no sistema fiscal são essenciais, mas exigem coragem política que, na sua opinião, falta ao executivo liderado por Luís Montenegro.
Esta posição de Rui Rio surge num contexto de debate sobre a capacidade do Governo de aprovar reformas de fundo, num quadro de crise política e económica. As suas declarações ecoam as críticas de outros sectores da sociedade civil e da oposição, que apontam a falta de ambição reformista do executivo.
Rio apelou ainda aos partidos políticos para que assumam uma visão de longo prazo, em vez de se focarem apenas nas próximas eleições. ‘O país precisa de um choque de reformas, e quem está no Governo tem a obrigação de o fazer, mesmo que isso seja impopular a curto prazo’, afirmou.
As declarações de Rui Rio foram recolhidas num evento em Lisboa, onde o ex-presidente da Câmara do Porto participou num debate sobre o futuro da democracia portuguesa.