A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, afirmou hoje que, neste momento, não existem perspetivas de retomar o diálogo com a NATO, nem de normalizar as relações com a organização, devido à escalada das tensões.
Zakharova sublinhou que Moscovo não tem planos agressivos contra a Aliança Atlântica ou a União Europeia, mas acusou a NATO de continuar a avançar para uma maior escalada, citando repetidas declarações do Presidente Vladimir Putin e do ministro Serguei Lavrov.
A porta-voz instou o Ocidente a reconsiderar as suas abordagens hostis em relação à Rússia, afirmando que sem isso, “não se pode falar seriamente em normalizar as relações com a Aliança”.
O alerta surge a poucos dias da cimeira da NATO em Ancara, na Turquia, onde a ameaça russa será um tema central. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, alertou recentemente que a Rússia poderá estar pronta para utilizar força militar contra a NATO dentro de cinco anos.
Na terça-feira, o Ministério da Defesa dos Países Baixos divulgou um relatório indicando que a Rússia pode lançar uma campanha militar limitada contra um país da NATO cerca de um ano após o fim da guerra na Ucrânia, considerando que a Europa está numa ‘zona cinzenta’ entre a guerra e a paz. O ministério prometeu aumentar o investimento em defesa, especialmente em drones.
Rutte, em conferência em Berlim, destacou a importância do apoio norte-americano à Ucrânia, apesar da suspensão das doações de armamento militar a Kiev este ano, e defendeu que os aliados europeus e o Canadá adquiram equipamento militar aos Estados Unidos para o fornecer às forças ucranianas.