O antigo ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, defendeu que é “do interesse nacional” Portugal participar numa missão internacional no Ártico, sublinhando a vocação atlântica do país, que se estende do hemisfério norte ao sul.

“É do interesse nacional participar numa missão internacional no Ártico, porque nós nunca nos podemos esquecer que somos um país europeu, certamente, mas também um país atlântico”, afirmou Santos Silva, durante um debate no âmbito dos Encontros Lusa, realizado no Porto.

O também ex-presidente da Assembleia da República foi taxativo ao rejeitar as pretensões do Presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Gronelândia, considerando que é preciso dizer “não” com firmeza e clareza, alertando para uma violação do Tratado do Atlântico Norte.

Santos Silva criticou a ideia de apaziguamento, comparando-a ao erro das democracias nos anos 30 ao tentar apaziguar Hitler. Defendeu uma reação firme não só em relação à Rússia, China e Irão, mas também aos EUA e Israel.

Portugal integra um grupo de 12 países da NATO que se comprometeram a assumir “maior responsabilidade” pela segurança marítima no Atlântico Norte, mar Báltico e oceano Ártico, com reforço de capacidades na próxima década.

O académico classificou como “história da carochinha” a ideia de que sem a proteção dos EUA a Europa estaria vulnerável à Rússia, e defendeu um investimento gradual em Defesa que aproveite os efeitos económicos, tecnológicos e de proteção civil, sem sacrificar o Estado Social.