
O Sporting pode estar prestes a enfrentar uma tempestade perfeita ao nível das receitas, com a provável “despromoção” da Liga dos Campeões para a Liga Europa, caso não consiga atingir o terceiro lugar da Liga. Os leões fizeram esta temporada o melhor encaixe financeiro da sua história na UEFA: sozinhos, garantiram quase 80 milhões, mais do que Benfica e FC Porto juntos. O Braga, que está a disputar o acesso à meia-final da Liga Europa, garantiu “apenas” 25 milhões nesta prova, o que mostra a disparidade de receitas para as duas competições. Ao JE, João Marcelino, jornalista, colaborador do Canal 11 e CNN Portugal, considera que, a acontecer, “não é apenas um revés desportivo — é também um teste sério ao modelo financeiro” e “um desnível estrutural entre competições”, até porque esta receita da UEFA funciona como “verdadeiro pilar do orçamento” e “uma variável crítica de equilíbrio”.
Assim, a equação que o Sporting enfrenta é exigente: “vender para equilibrar, sem comprometer o rendimento desportivo”, destaca o jornalista. Para João Marcelino, o Sporting “não está rutura mas continua preso à lógica estrutural do setor: a Champions não é um bónus, é o pilar”. A diferença, realça, é que, “ao contrário de outros momentos da sua história recente, o clube chega aqui mais preparado, com dívida mais organizada, ativos valorizados e uma estratégia definida”. Não estar na Champions “é perder relevância, capacidade negocial, valorização de jogadores e tempo competitivo”.
Vão-se os anéis
É um clássico da gestão das SAD desportivas: sem receitas da Champions, há maior pressão no mercado de transferências (que a cada época se torna mais exigente). Se já há um compromisso para vender o passe de Morten Hjulmand, cuja receita pode ir até 35 milhões, essa predisposição para a alienação de passes pode alargar-se aos jogadores leoninos que mais brilharam na Liga dos Campeões, como Ousmane Diomande e Maxi Araújo, sabendo-se que Hidemasa Morita é saída garantida (e a custo zero). No que diz respeito a contratações, é de esperar um mercado muito diferente porque se a Champions atrai os melhores, a Liga Europa não constitui uma proposta irrecusável do ponto de vista desportivo.
Tudo muda em 26/27
Com Portugal a recuperar o sexto lugar no ranking da UEFA, o que significa que a Liga terá duas equipas diretas na fase de liga e uma na qualificação, João Marcelino acredita que o Sporting “é o clube português mais preparado para enfrentar uma ausência pontual da Liga dos Campeões”, porque “está mais habituado a lidar com essa realidade”. O jornalista deixa um elogio aos gestores da SAD leonina: “Do ponto de vista financeiro, a dupla Frederico Varandas e Francisco Zenha tem vindo a consolidar o clube: maior disciplina salarial, crescimento de receitas comerciais, controlo do prejuízo operacional e investimento estratégico em infraestruturas, com estádio e academia no centro desse processo”.