Os trabalhadores do projeto Conta Lá manifestam-se preocupados com a continuidade do projeto que “defende a coesão territorial” e o “serviço público” de televisão e que o coletivo está unido e empenhado na procura de soluções.
Na quarta-feira decorreu um plenário de trabalhadores para analisar a atual situação da empresa, no mesmo dia em que o presidente executivo (CEO) do Conta Lá, Sérgio Figueiredo, comunicou a sua saída e informou sobre a convocação até final do mês de uma assembleia-geral de acionistas para aprovar o plano de reestruturação, segundo missiva a que Lusa teve acesso.
Os trabalhadores, de acordo com fontes contactadas hoje pela Lusa, enviaram perguntas à administração, nomeadamente sobre os salários em atraso (neste momento são dois meses a caminho de três no final de julho, caso nada seja pago), a viabilidade financeira da empresa, quem são os novos acionistas e que tipo de reestruturação será feita e se o ‘lay-off’ é uma possibilidade.
Em comunicado, os trabalhadores do canal referem que, “na sequência das notícias que tornaram públicas as graves dificuldades financeiras que o projeto enfrenta, para além de manifestarem a natural preocupação relativamente ao futuro profissional de todos os que o construíram, os trabalhadores consideraram imperativo dar nota pública a sublinhar o valor estratégico, social e cultural do trabalho” que realizaram.
O Conta Lá é um canal de televisão por cabo, com uma programação direcionada para as regiões e jornalismo de proximidade.
Durante o período de cerca de um ano, o projeto incluiu emissões televisivas, notícias no site oficial e conteúdos partilhados através das suas redes.
“Num momento de incerteza e angústia, os trabalhadores lembraram que o projeto tem cumprido uma missão fundamental e insubstituível, dando visibilidade ao território nacional, garantindo que Portugal é retratado como um todo, muito para lá das fronteiras dos grandes centros urbanos, dando voz a quem não tinha e atenção a projetos essenciais para a dinamização e desenvolvimento desse território”, lê-se no comunicado.
Aliás, “mostrámos a Portugal que há um país que corria o risco de se transformar num deserto de notícias, onde os esforços de desenvolvimento local (públicos e privados) não tinham anteriormente qualquer visibilidade televisiva e noticiosa”, acrescentam os trabalhadores no comunicado.