A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, pediu hoje prudência aos Estados-membros quanto a eventuais conversações com a Rússia sobre a guerra na Ucrânia.

Kallas disse que os estados-membros não devem “cair na armadilha da Rússia” ao permitirem que Moscovo escolha os interlocutores da União Europeia.

Nesse sentido, a chefe da diplomacia do bloco europeu argumentou que a União Europeia (UE) deve concentrar estratégias na definição da substância das exigências europeias para a Ucrânia antes de decidir quem se sentará numa eventual mesa de negociações.

Em declarações aos jornalistas antes de participar na reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE no Chipre, Kallas antecipou que as eventuais negociações devem ser encaradas como um “esforço de equipa” e com uma estratégia conjunta.

“A Rússia quer que caiamos na armadilha de debater quem vai negociar com eles. (…) Não vamos cair nessa armadilha”, disse Kallas acrescentando que o conteúdo das negociações é mais importante do que o formato dos encontros.

A chefe da diplomacia defendeu uma “abordagem maximalista” às exigências que Moscovo tem mantido até ao momento e recordou que em fevereiro propôs uma série de medidas a exigir a Moscovo em caso de eventuais negociações de paz para a Ucrânia.

Entre as propostas, a Alta Representante da UE defendeu que qualquer acordo deve basear-se no respeito da Rússia pelos acordos internacionais, a não atacar os países vizinhos e a respeitar a soberania dos Estados.

Por outro lado, evocou o “princípio da reciprocidade militar”, explicando que as concessões exigidas à Ucrânia em relação às limitações bélicas também devem ser aplicadas à Rússia.

A chefe da diplomacia da UE afirmou também que a estabilidade do continente depende da retirada das tropas russas da Geórgia e da Moldova e do fim da interferência da Rússia em processos eleitorais.

Na mesma linha, o representante da União Europeia para a Cooperação, José Manuel Albares, desvalorizou o formato de possíveis negociações ou a escolha de um enviado especial.

Albares disse que o “importante não é o nome, mas a abordagem” sublinhando a importância de os 27 Estados-Membros falarem “a uma só voz”.