O Congresso Nacional do Povo da China, o órgão deliberativo máximo do país, alinhou as opções para os próximos cinco anos com a redução dos objetivos de crescimento – que, para o ano em curso foram revistos em baixa para os 5%. A revisão é, diz Pequim, uma observação realista da envolvente internacional – focada no aumento das barreiras alfandegárias e no emagrecimento do multilateralismo, que aconselham ao regresso ao foco no consumo interno como motor do desenvolvimento, em detrimento das exportações.

O documento estabelece como prioridade “reforçar o papel da procura interna como motor principal do crescimento”, um dos desafios mais urgentes da segunda maior economia do mundo após vários anos de consumo doméstico relativamente débil. Em vista está, portanto, o aumento da capacidade de consumo de um mercado com 1,4 mil milhões de pessoas – através do crescimento dos salários, do controlo dos elevados custos da habitação e na disseminação da proteção social. Este novo foco responde, por outro lado, a um dos maiores desafios da China: o rápido processo de envelhecimento da população – resultado da antiga política do ‘filho único’ (ou menos).

De qualquer modo, o novo plano coloca a inovação tecnológica no centro da estratégia económica. Ou seja, a intenção do governo liderado por Xi Jinping é preparar a indústria caseira para uma futura nova alavancagem do multilateralismo na área comercial que, acredita Pequim, terá inevitavelmente que suceder a esta fase de foco nas economias nacionais.

O texto prevê “medidas extraordinárias” para alcançar avanços em setores considerados estratégicos, como circuitos integrados, software industrial e materiais avançados, num momento de crescente rivalidade tecnológica entre Pequim e Washington. A China tem estado, segundo muitos observadores, no topo do desenvolvimento tecnológico nos mais diversos setores. Que vão desde a investigação dos chips de nova geração e computação avançada, até à criação das pequenas unidades de geração de energia nuclear, imensamente menos dispendiosas e mais eficazes que as grandes centrais tradicionais.

A China quer, por outro lado, lançar a investigação num contexto cada vez mais amigo do ambiente – o que serve também para o combate à forte dependência de que o país continua a sofrer em termos do consumo de energia fóssil. Por arrasto, o plano relança condições para a China reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras. Neste particular, o país está numa posição invejável, dado que é o maior detentor global de reservas, produção e processamento de minerais críticos e de terras raras, controlando cerca de 60% da extração e mais de 90% da refinação mundial. As suas reservas estão avaliadas em 45 milhões de toneladas – o que é uma péssima notícia para a concorrência norte-americana, que se tem preocupado em juntar a seu lado, sem o sucesso esperado, todos os restantes produtores, como o Congo, a África do Sul ou o Chile.