João Fernandes, engenheiro informático, encontrou na sala de aula competências que o ajudaram a dar o passo decisivo.

João Fernandes, fundador da DocDigitizer
João Fernandes, fundador da DocDigitizer

No final de 2018, dois anos após terminar o The Lisbon MBA, fundou a DocDigitizer, movido pelo propósito de automatizar a extração de dados presos em documentos, o maior bloqueio à transformação digital das grandes organizações.

A empresa posiciona-se desde o início no mercado internacional, com foco em banca e serviços financeiros, e opera hoje em 11 países entre a Europa e os Estados Unidos. Em 2021, ultrapassou um milhão de receita recorrente mensal.

“Enquanto o ecossistema apostava em crescimento alavancado por capital de risco, a DocDigitizer escolheu rentabilidade sustentável”, justifica. Quando a contração de 2022-23 dizimou dezenas de startups, manteve-se sólida, com margem EBITDA superior a 25%.

As opções de João Fernandes revelaram-se acertadas. Não acaba aqui. O boom da inteligência artificial trouxe uma aceleração significativo e a DocDigitizer posiciona-se hoje como uma das plataformas mais inovadoras a nível mundial no suporte a agentes de IA autónomos, reconhecida pela Gartner e Forrester no espaço de Intelligent Document Processing.

A história da Devoteam em Portugal começa uma década antes, em 2009. “A BOLD nasceu, literalmente, pelo Bruno Mota e colegas, nos bancos do ISCTE Executive Education. Passou, mais tarde, a BOLD Devoteam. E é hoje Devoteam, uma multinacional tecnológica que superou a fasquia das 1000 pessoas em Portugal, tornando-se numa empresa de referência”, conta José Crespo de Carvalho, presidente do Iscte Executive Education, ao JE.

Bruno Mota, sócio-fundador da BOLD
Bruno Mota, sócio-fundador da BOLD

Um viveiro, olhando para a sua descrição: “Umas maiores outras menores mas, aqui, nasceram muitas empresas. Acertaram-se outras. Reconfiguraram-se muitas. Preparou-se a expansão de outras tantas. E ultimamente muitas plataformas digitais e seu desenvolvimento têm vindo a dar origem a empresas”.

André Silva, do Wonderstudio
André Silva, do Wonderstudio

O ISEG também assume a sua quota parte no nascer e florescer de projetos. André Silva, do Wonderstudio, ateliê de arquitetura e design de interiores, com escritório no centro de Lisboa, fundado em 2016 pela arquiteta Margarida Martins, encontrou no Quelhas as ferramentas de que precisava.

“O MBA Executivo no ISEG, que concluí em 2025, nasceu de um desafio da própria Margarida — minha mulher e sócia, por quem nutro uma tremenda admiração. Foi ela que me trouxe para este projeto e que continua a desafiar-me todos os dias”.

A dinâmica é simples: aceitar desafios, fazer acontecer e crescer. “A vontade de fazer melhor e entregar mais, falou sempre mais alto”, salienta. E o impacto na organização, começa a sentir-se. “A implementação da mudança requer o seu ritmo: estratégia e uma visão renovada do negócio, novos recursos humanos, processos mais estruturados, introdução de tecnologia e um foco cada vez mais centrado na experiência dos nossos clientes e na aprendizagem dos nossos colaboradores”.

O Wonderstudio avança agora para um modelo de grupo empresarial — integrando arquitetura, design de interiores e construção, com novos mercados, clientes e projetos no horizonte, com o objetivo de “oferecer a melhor experiência e quebrar tabus”.

Na Porto Business School em resultado de um projeto de empreendedorismo do Digital MBA, nasce, em 2024, a Onedash. Luís Pereira, fundador e CEO, procura resolver um senhor problema: A maioria das PME sabe que está exposta a ataques informáticos, mas não sabe o que fazer. “Sem equipas dedicadas nem orçamento para consultores, ficam reféns de ferramentas complexas e dispendiosas, pensadas para grandes empresas”, explica.

Luís Pereira, fundador da Onedash
Luís Pereira, fundador da Onedash

A sua solução é uma plataforma que monitoriza “de forma contínua a segurança das empresas” e “transforma dados técnicos em algo que qualquer gestor gestor consegue entender: uma visão clara do que está protegido, do que está exposto e o próximo passo a tomar”. Luís Pereira esclarece que o objetivo não é substituir especialistas, mas dar às empresas a autonomia para tomarem decisões informadas sobre a sua segurança.

Com clientes na Europa e América Latina, a Onedash mostra que “proteção não exige complexidade, mas clareza”.

Voltemos à sala de aula. O espírito empreendedor acaba, muitas vezes, por germinar das discussões aí tidas. Agostinho Abrunhosa, diretor do AESE Executive MBA, diz ao JE que “mais do que criar startups, o objetivo é desenvolver a mentalidade empreendedora”.

O próprio já viu nascer, não só propostas de negócio com potencial real, como empresas. Exemplo? As bem-sucedidas Hope Care e Human Talent.