O gasóleo está pela hora da morte. E poucas coisas prejudicam mais a reputação dos economistas do que episódios de subida dos preços, como o que estamos atualmente a viver, fruto do voluntarismo, digamos assim, do presidente Trump.

A população, atingida no seu poder de compra, protesta e clama contra os malandros das gasolineiras, os gananciosos dos hipermercados e outros patifes que tais. As empresas confrontadas com matérias-primas e produtos mais caros reclamam apoios urgentes como única forma de evitar encerramentos massivos com graves consequências sociais. Os políticos sentem-se obrigados a agir ou, pelo menos, a prometer o costume: investigações urgentes ao funcionamento de certos mercados, tabelamentos de preços, apoios aos consumidores e a certas atividades económicas.

Perante estes clamores, os economistas parecem desprovidos de empatia enquanto invocam, em vão, o que aprenderam no primeiro ano da faculdade. Os apoios, particularmente se generalizados, contribuem para fortalecer a procura. E fortalecer a procura tende a fazer subir os preços, o que agrava, em vez de resolver, o problema original. Há muitas e fortes discordâncias entre economistas. Mas poucas coisas reúnem mais consenso do que os efeitos do tabelamento dos preços. Um preço artificialmente baixo estimula o consumo, ao mesmo tempo que reduz o incentivo das empresas para produzir e vender o bem pretendido. Não podendo cobrar um preço que remunere adequadamente a sua produção, as empresas tendem a reduzir a quantidade vendida, o que gera escassez do produto, ou optam por baixar a qualidade do que oferecem, para reduzir os seus custos. Investigações a subidas de preços, por exemplo, dos combustíveis, nunca deram em nada, nem em Portugal nem noutros países, e a criação de estruturas especiais para vigiar estes movimentos é um mero desperdício de recursos públicos. Claro, isto supondo que a Autoridade da Concorrência faz o seu trabalho.

Os estudantes de economia aprendem, no primeiro ano do curso, que as flutuações dos preços são o mecanismo essencial de afetação dos recursos numa economia de mercado. Quando os preços de um produto sobem, os seus produtores têm incentivo para aumentar a produção, enquanto os consumidores são estimulados a tentar reduzir o consumo. Havendo concorrência suficiente, a interação destas duas forças faz com que os preços tendam a alinhar-se com os custos. Os custos, como a gravidade, têm de ser suportados. As medidas de política podem alterar quem suporta o custo, às vezes justificadamente. Mas não o podem fazer desaparecer, por muito que o desejássemos.

Já muitos explicaram isto, muitas vezes, com escasso resultado. O bê-á-bá, às vezes, é o mais difícil.