A ministra da Saúde defendeu hoje a evolução para “um verdadeiro sistema nacional de saúde” em Portugal e alegou que os portugueses escolheram o executivo para governar e não para “arranjar desculpas”.

“O compromisso do Governo é precisamente esse, continuar a reformar, corrigir o que não está bem, reforçar o SNS como um sistema público universal mais justo, mais eficiente e mais próximo das pessoas e evoluir, de uma vez por todas, para um verdadeiro sistema nacional de saúde”, afirmou Ana Paula Martins no parlamento.

Numa interpelação ao Governo promovida pelo Livre sobre o estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS), após dois anos da governação da coligação PSD-CDS/PP, a governante disse que, apesar de não desvalorizar os barómetros, não confunde “popularidade com responsabilidade”.

“É por isso que não desistimos, porque os portugueses nos escolheram para governar, não para fugir, não para desertar, não para arranjar desculpas, mas para assumir responsabilidades pelas reformas”, salientou Ana Paula Martins.

No encerramento do debate, a ministra reconheceu ainda que o último inverno foi “particularmente exigente” para o SNS, devido à coincidência de um pico de gripe e a episódios de frio extremo, que se traduziram num aumento significativo da pressão nas urgências, nos cuidados intensivos e nos internamentos.

Ana Paula Martins adiantou ainda que Portugal “não esteve sozinho” na mortalidade em excesso nesse período, que foi a mais alta dos últimos 10 anos, excluindo os anos da pandemia de covid-19, alegando que pela mesma situação passaram a França, Dinamarca, Itália, Suíça, Irlanda e Espanha.

“Exatamente porque o inverno foi muito duro para todos, criou uma pressão enorme em todos os sistemas de saúde”, referiu a governante, ao salientar que, a este contexto, somaram-se várias intempéries, que exigiram uma “resposta rápida e coordenada” entre o ministério e o SNS.

O relatório do módulo de inverno 2025/2026, a que a Lusa teve acesso, revela que foi identificado um período de nove semanas de excesso de mortalidade em Portugal, com um total de 4.685 mortes além do esperado (até 08 de abril), um excesso de 21%.

Além disso, o número de episódios de urgência nos hospitais baixou no inverno 2025/2026, mas aumentou o peso dos casos realmente urgentes (pulseira amarela) e o tempo médio de permanência na urgência voltou a subir após descer em 2024/2025, indicou o documento.

Segundo a ministra, o modelo de governação do plano de resposta para o inverno mostrou-se adequado, assegurando um acompanhamento permanente a ajustamentos operacionais atempados, adiantando ainda que o relatório será publicado.

Já sobre o novo Sistema Nacional de Gestão do Acesso a Consultas e Cirurgia (SINACC), que vai substituir o atual SIGIC, Ana Paula Martins reafirmou que “está pronto para arrancar daqui a quatro meses”, a 01 de agosto.

De acordo com a ministra, este novo sistema vai começar a funcionar pelas cirurgias, permitindo que cada cidadão possa acompanhar o seu percurso e conhecer a sua posição na lista de espera.

“Quando não é possível garantir a resposta dentro do tempo adequado, o utente pode ser encaminhado para outras entidades do SNS ou do setor social ou privado, sempre com o seu consentimento e com critérios claros de equidade”, referiu Ana Paula Martins.