Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) iniciam hoje em Chipre uma cimeira informal de dois dias, que estará essencialmente focada na guerra no Médio Oriente e incluirá um encontro com parceiros na região.

A reunião irá começar às 19:30 locais (mais duas horas em relação a Lisboa) na cidade costeira de Agia Napa, em Chipre – país que detém atualmente a presidência semestral rotativa do Conselho da União Europeia – com uma intervenção do Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sobre a guerra no seu país, em curso desde fevereiro de 2022.

A intervenção de Zelensky irá ocorrer um dia depois de a Hungria e a Eslováquia terem levantado o veto ao empréstimo da UE de 90 mil milhões de euros destinado a Kiev e ao 20.º pacote de sanções à Rússia, que se encontravam bloqueados desde fevereiro.

Os líderes vão abordar depois a guerra no Médio Oriente, o tema principal desta cimeira e que tem particular simbolismo por acontecer em Chipre, o único Estado-membro da UE que foi alvo de ataques atribuídos ao Irão desde o início da guerra naquele país, em 28 de fevereiro.

No início de março, Chipre foi alvo de ataques de drones atribuídos ao Irão, que visaram uma base militar britânica instalada em território cipriota.

Além de discutirem a situação securitária na região e a liberdade de navegação no estreito de Ormuz, os chefes de Estado e de Governo dos 27 do bloco europeu vão também trocar pontos de vista sobre os esforços que a UE pode empreender para procurar reduzir as tensões e promover a diplomacia.

Estarão igualmente em cima da mesa as propostas apresentadas na quarta-feira pela Comissão Europeia para responder ao aumento dos preços da energia, assim como uma discussão sobre como deve funcionar na prática o princípio de defesa mútua da UE em caso de ataque a um Estado-membro, que está consagrado no artigo 42.7º dos tratados.

Esta discussão irá fechar o primeiro dia de trabalhos, voltando os líderes a reunir-se na sexta-feira, às 09:00 locais, em Nicósia, para discutirem o financiamento do orçamento da UE para o período entre 2028 e 2034.

Da parte da tarde de sexta-feira, está previsto o momento mais simbólico desta cimeira: um encontro com os líderes do Líbano, Egito e Síria, do príncipe herdeiro da Jordânia e do secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo.

Nesse encontro, deverá ser discutida a necessidade de reforço das relações bilaterais, mas também a situação no estreito de Ormuz e as negociações de paz que estão em curso entre Israel e o Líbano.

O Governo português estará representado nesta cimeira pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.