As receitas da MEO cresceram 1,3% no ano passado, face ao anterior, para 2.811 milhões de euros, puxadas pelo contributo do negócio da energia, mas com desempenho prejudicado pela pressão sobre a rentabilidade operacional, segundo a informação divulgada pela operadora de telecomunicações esta quinta-feira, 23 de abril.

Os resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), caíram 4,8%, para 947 milhões de euros. Excluindo o impacto negativo da Altice Labs, a quebra limitou-se a 1,2%, refletindo a “pressão sentida” na ARPU [receita média por utilizador] de telecomunicações e “pelo aumento de custos decorrentes da inflação”.

O investimento fixou-se em 403 milhões de euros, refletindo a aposta na expansão de redes, enquanto a empresa reforçou a diversificação para além das telecomunicações, com destaque para o negócio da energia.

“Em 2025 acelerámos a transformação da MEO para além da conectividade tradicional e consolidámos a estratégia de diversificação”, afirma Ana Figueiredo, presidente-executiva da empresa.

O segmento de consumo foi o principal motor da atividade, com receitas de 1.508 milhões de euros, mais 5% do que no ano anterior, impulsionado pelo crescimento da base de clientes de fibra e móvel pós-pago, que atingiu 13,3 milhões.

Mas o destaque é a MEO Energia. O negócio energético duplicou receitas e aumentou a base de clientes de 145 mil para 223 mil, com 78 mil novas adesões líquidas, alcançando uma quota de 4,0% do mercado em número de clientes, segundo dados da ERSE.

As receitas do segmento de serviços empresariais cresceram 3,5%, para 1.303 milhões de euros, suportadas pelo desempenho dos serviços não telco, como outsourcing e venda de equipamentos.

No quarto trimestre, as receitas ascenderam a 737 milhões de euros, mais 1,6% em termos homólogos, enquanto o EBITDA recuou 0,6%, para 230 milhões de euros.

A empresa refere que manteve a liderança em todos os principais segmentos de telecomunicações em Portugal, incluindo televisão paga, internet fixa e serviços em pacote, citando dados do regulador, a Anacom.

Ao nível da infraestrutura, a MEO terminou 2025 com 6,7 milhões de casas cobertas por fibra ótica e níveis de cobertura de 99,98% em 4G e 97,22% em 5G.

Num setor que representa 4,7% do produto interno bruto europeu, mas enfrenta uma tendência de queda de investimento e fragmentação, a MEO assume que o caminho de desenvolvimento é a transformação para uma plataforma de serviços digitais como eixo estratégico.

“2026 será um ano de execução e aceleração”, diz Ana Figueiredo, apontando os resultados do ano passado como base para a construção de uma empresa “mais ágil, mais digital, mais inteligente e mais preparada para o futuro”.

“A MEO está a executar, com rigor e consistência, a estratégia que definimos para transformar a empresa numa plataforma de serviços digitais, preparada para competir num setor em rápida mudança e assumir-se como uma techCo de referência”, sustenta.