
A Moody’s Ratings anunciou esta quinta-feira a subida do rating de longo prazo do Banco BPI para A1, acima do anterior A2, mantendo uma perspetiva estável. A decisão reflete a melhoria do perfil de crédito do banco e o reforço do apoio potencial por parte da sua casa-mãe, a CaixaBank.
Além do rating de emitente, a agência também elevou a notação dos programas de dívida sénior não garantida do BPI para (P)A1. Os depósitos de longo prazo mantiveram-se em A1, já considerados no nível máximo permitido face ao rating soberano de Portugal.
A Moody’s justifica a revisão em alta com a melhoria do perfil de crédito da CaixaBank, cuja capacidade reforçada de apoiar a subsidiária portuguesa passou a traduzir-se num “uplift” de um nível na avaliação ajustada do BPI.
Ainda assim, a avaliação intrínseca do banco (BCA) manteve-se em baa1, sustentada por indicadores sólidos: qualidade dos ativos acima da média, níveis elevados de capital e rentabilidade resiliente.
A perspetiva estável reflete, assim, um equilíbrio entre fundamentos sólidos do BPI e o enquadramento macroeconómico e soberano.
Qualidade dos ativos e capital em destaque
O rácio de crédito malparado do BPI caiu para 1,6% no final de 2025, melhorando face aos 1,9% registados no ano anterior. A Moody’s destaca ainda o peso significativo do crédito à habitação — cerca de 60% da carteira — considerado menos arriscado.
Em termos de capital, o banco apresentou um rácio CET1 de 14%, bem acima dos requisitos regulatórios. A política de dividendos deverá manter-se, permitindo preservar níveis confortáveis de capital nos próximos anos.
A agência sublinha também a forte posição de liquidez, com rácios LCR e NSFR de 192% e 139%, respetivamente. Para 2026, a Moody’s antecipa uma rentabilidade estável, com crescimento de comissões e margem financeira a compensar custos operacionais mais elevados.
Apesar da melhoria, novas subidas de rating são consideradas improváveis enquanto o rating soberano de Portugal se mantiver em A3. Segundo a metodologia da Moody’s, os ratings bancários tendem a estar limitados pela qualidade de crédito do país.
Por outro lado, uma deterioração significativa da qualidade dos ativos, liquidez ou capital poderá pressionar negativamente a notação do banco.