A oposição venezuelana denunciou que a crise elétrica se agravou no país, com apagões afetando economicamente os setores produtivos e submetendo a população a um estado de alerta e sobrevivência. No relatório “Viver entre Apagões”, o partido Primeiro Justiça (PJ) aponta que aproximadamente 90% dos lares sofrem cortes diários ou esporádicos. Em estados como Zúlia, Táchira, Mérida, Lara e Barinas, os cortes variam entre 6 e 12 horas por dia, perturbando rotinas básicas como dormir, cozinhar e conservar alimentos.

Segundo o PJ, as famílias enfrentam perdas econômicas devido a danos em eletrodomésticos e à paralisação do comércio. A crise também afeta o abastecimento de água, hospitais e escolas. No estado de Táchira, a Câmara de Comércio documentou quedas de até 60% na produção. Especialistas em saúde mental alertam para o aumento de estresse, ansiedade crônica e distúrbios do sono.

O governo atribui a crise ao aumento das temperaturas, ao crescimento da atividade econômica e a sanções internacionais. No entanto, o PJ questiona a capacidade do Executivo de oferecer soluções estruturais, após décadas de falta de investimento e má gestão. Em março de 2019, uma falha na usina de El Guri deixou o país às escuras por sete dias.