Oeiras assumiu-se hoje como palco de reflexão global sobre o futuro do transporte marítimo e da energia, ao acolher o Portugal-China Green Maritime Forum, integrado nos Global Oeiras Ocean Days 2026. Na abertura do evento, o presidente da Câmara Municipal, Isaltino Morais, destacou a urgência de acelerar a transição energética no setor marítimo e sublinhou o papel estratégico da cooperação internacional.
Perante uma audiência composta por diplomatas, empresários, cientistas e especialistas do setor energético, o autarca alertou para a complexidade dos desafios atuais: “Estamos perante uma mudança de paradigma. Energia, portos, indústria, logística e financiamento estão hoje profundamente interligados”, afirmou.
O transporte marítimo, responsável pela maior fatia do comércio global, enfrenta uma pressão crescente para reduzir a sua pegada carbónica. Apesar dos avanços tecnológicos, Isaltino Morais deixou um aviso: “Esperemos não chegar ao paradoxo de termos navios movidos a combustíveis verdes a atravessar os oceanos para transportar combustíveis fósseis que continuamos a querer substituir.”
No centro do debate estiveram soluções emergentes como o hidrogénio verde, a amónia e o metanol sustentáveis — tecnologias que, segundo o presidente da autarquia, passaram rapidamente do domínio experimental para o centro das estratégias energéticas globais. A grande questão, sublinhou, é agora “transformar projetos piloto em soluções comerciais viáveis à escala global”.
Entre os principais obstáculos identificados estão a criação de procura para novos combustíveis, o desenvolvimento de infraestruturas portuárias adequadas, a redução de custos e a necessidade de um quadro regulatório estável que inspire confiança aos investidores.
Uma ponte entre Portugal e a China
A dimensão geopolítica do fórum foi igualmente destacada. Para Isaltino Morais, a cooperação entre Portugal e a China é “da maior importância” num contexto em que os desafios energéticos exigem respostas coordenadas. O autarca lembrou que Oeiras tem investido na aproximação cultural, sendo “o único município em Portugal com ensino estruturado de língua e cultura chinesa em todas as escolas”.
“Num mundo globalizado, a transição energética do setor marítimo não será possível sem colaboração entre países, regiões e ecossistemas de inovação”, afirmou.
Portugal surge, neste contexto, como um ator com potencial reforçado, graças à sua posição atlântica e tradição marítima. Já a China, destacou, é “um parceiro incontornável”, dada a sua capacidade industrial, tecnológica e financeira.
Um dos projetos em análise passa pela criação de novas rotas marítimas sustentáveis entre a Europa e a Ásia, integrando portos, plataformas logísticas e centros energéticos numa lógica de corredor verde.
Oeiras quer afirmar-se na economia azul
Ao longo da intervenção, Isaltino Morais reforçou a ambição de posicionar Oeiras como um polo internacional de inovação ligado ao mar. “Construímos um território reconhecido pela ciência, tecnologia e capacidade empresarial, mas queremos ir mais longe: ser um centro da nova economia azul”, afirmou.
Os Global Oeiras Ocean Days surgem, assim, como uma plataforma de ligação entre conhecimento, investimento e políticas públicas. Sob o lema da inovação azul global, o objetivo passa por transformar o debate em ação concreta.
“A descarbonização marítima não será alcançada por um único país ou tecnologia. Será o resultado da nossa capacidade coletiva para cooperar, inovar e agir”, concluiu.
O fórum prossegue com debates centrados no financiamento da transição energética, certificação de combustíveis verdes e desenvolvimento de infraestruturas portuárias, num momento que pode revelar-se decisivo para o futuro do setor marítimo global.