Chamo para a linha da frente todas as pessoas alegres da vossa empresa!
Todos nós, enquanto líderes de equipas, temos frases que repetimos vezes e vezes sem conta. De entre muitas das minhas favoritas, há uma frase que resume muito daquilo que eu penso do mundo e dos seus líderes. A frase versa mais ou menos assim: “Só pessoas alegres é que mudam o mundo!”.
À primeira vista, pode parecer uma frase feita e até sem grande conteúdo ou base científica, mas a verdade é que “sermos” alegres dá muito trabalho. Mais ainda, a alegria intencional permite a quem está à nossa volta beneficiar de um ambiente transformador dentro da organização. Gostava de realçar três aspetos fundamentais da alegria que está na base das pessoas que mudam o mundo à sua volta.
Em primeiro lugar gostava de salientar uma faceta da alegria que me parece natural, mas porventura menos explicita ou óbvia – ela só existe para ser dada e, por isso, quem é alegre, dá-se! Dizemos que uma pessoa é alegre porque partilha essa alegria com ‘os outros’, connosco! E na realidade nem há dilema. Não é possível ser alegre e guardar para si mesmo essa alegria. Como escreve o poeta e Cardeal Tolentino “A alegria não nos pertence”. Serei sempre apologista de algo que possuímos, mas que serve, sobretudo, para os outros, para quem está a nossa volta, e para quem mais dela necessita.
A alegria é também contagiante. As pessoas profundamente alegres não sabem viver ser contagiar os outros dessa alegria. A alegria é como uma fonte que não se esgota! Por mais que se dê, nunca acaba. Tenho observado que nas empresas mais exigentes, mais ágeis ou inovadoras, há sempre colaboradores que, sendo a cola entre várias equipas da empresa, são também aqueles que se comprometem verdadeiramente com a alegria deles e de todos.
Por último, parece-me que a alegria é sobretudo um ingrediente fundamental para quem quer mudar o mundo. Falo de mudar o mundo como um processo de transformação que envolve pessoas e práticas. É a partir da alegria que estes líderes congregam à sua volta aqueles que mais livremente querem também a transformação. É também enraizado na alegria que estes líderes, mesmo nos momentos de dificuldade e de resistência organizacional, conseguem recentrar a atenção das equipas no essencial do caminho. Para mim, é sempre surpreendente o efeito que a leveza o bom humor que são trazidos pela alegria conseguem.
Ao fechar este texto, deixo um apelo: tragam de volta a alegria para a conversa organizacional e valorizem as pessoas que nas vossas equipas são alegres. Encontrem-nas, parem-nas no corredor e celebrem com elas este dom que é a alegria!