O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou hoje que as forças estrangeiras a operar perto do território iraniano correm o risco de se verem envolvidas num tiroteio, após o abate de um helicóptero Apache dos Estados Unidos no estreito de Ormuz.
“As forças estrangeiras que operam perto do nosso território correm sempre o risco de cometer erros humanos, seja por simples acidentes ou pela ameaça de se verem envolvidas num tiroteio”, escreveu Araghchi nas redes sociais. Ele acrescentou que “para mitigar estes perigos, a melhor medida é que as forças estrangeiras abandonem completamente esta região; quanto mais cedo o fizerem, menos provável será que enfrentem ações hostis”. As forças armadas iranianas mantêm-se em alerta para “fazer face a qualquer violação do espaço aéreo, terrestre ou marítimo”.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que um helicóptero Apache foi abatido enquanto patrulhava o estreito de Ormuz, envolvendo dois pilotos que estão bem e ilesos. “Os Estados Unidos têm, necessariamente, de responder a este ataque”, escreveu Trump na Truth Social.
Araghchi respondeu afirmando que o estreito de Ormuz não são águas internacionais, mas sim águas partilhadas entre o Irão e Omã, situadas a “milhares de quilómetros das costas dos Estados Unidos”. “As fronteiras marítimas são totalmente claras e inequívocas”, concluiu.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também se manifestou, afirmando que Teerão prefere a “linguagem da diplomacia”, mas que também fala “outras línguas com muito mais fluência”. “Se não cumprires os teus compromissos, passaremos a usar aquilo que sabemos fazer melhor”, ameaçou Ghalibaf.
Os Estados Unidos e o Irão trocaram ataques desde o cessar-fogo acordado há dois meses. Nos últimos dias, o conflito escalou com trocas de ataques entre Israel e o Irão, mas os ataques diretos cessaram na segunda-feira. O cessar-fogo permanece frágil.