Apesar do contexto macroeconómico mais desafiante, com subida de juros, pressões inflacionistas e incerteza geopolítica, o mercado de escritórios na Europa mantém-se resiliente: a Savills prevê 3,5 milhões de metros quadrados de nova oferta em 2026 e rendas prime em alta devido à escassez de produto de qualidade, enquanto em Portugal a JLL regista uma absorção sólida de 58.900 m² em Lisboa e 14.400 m² no Porto nos primeiros cinco meses do ano.
De acordo com o estudo European Office Development – Q1 2026 da Savills, o volume de novos edifícios de escritórios concluídos na Europa deverá atingir 3,5 milhões de m² em 2026, valor estável face a 2025, mas 28% abaixo do pico de 2022. Para 2027, a consultora antecipa uma descida para 2,7 milhões de m².
No primeiro trimestre de 2026, a ocupação rondou os 1,8 milhões de m², cerca de 3% abaixo da média dos últimos cinco anos. A Savills destaca que apenas 1,5% do pipeline europeu é especulativo, o que deverá continuar a pressionar as rendas prime.
Empresas mais prudentes, mas procura mantém-se
O relatório da Savills mostra que as empresas continuam a ocupar escritórios, embora com maior cautela, privilegiando a renovação de contratos. Dublin, Budapeste e Amesterdão destacam-se positivamente, enquanto Alemanha e França apresentam maior contenção. A Savills antecipa ainda assim um crescimento da ocupação em torno de 3% para o conjunto do ano.
Mike Barnes, Director de European Office Research da Savills, afirma que “a procura por escritórios de qualidade em localizações centrais se mantém sólida”, beneficiando projetos de reabilitação e edifícios eficientes do ponto de vista energético.
Em Portugal, Lisboa lidera e Porto ganha relevância
Em Portugal, as tendências europeias também se confirmam. Segundo Frederico Leitão de Sousa, Head of Offices da Savills Portugal, a forte dinâmica de Lisboa, alimentada por novas empresas internacionais, reforça a atratividade do país, com o Porto a ganhar relevância como mercado alternativo.
Os dados da JLL no Office Flashpoint corroboram esta evolução. Até maio, Lisboa registou 58.900 m² de absorção (12% abaixo do homólogo de 2025, mas ainda robusto), enquanto o Porto cresceu 86% face ao ano anterior, atingindo 14.400 m².
As empresas de TMT & Utilities lideraram a procura em ambas as cidades. Bernardo Vasconcelos, Head of Office Leasing da JLL, salienta que, apesar do ambiente mais cauteloso, “a atividade ocupacional em Lisboa e no Porto mantém-se consistente com os padrões históricos”, permitindo perspetivas positivas para o resto do ano.