
A Kaizen Gaming, dona da Betano, nasceu em 2012 sem financiamento externo e com uma equipa de apenas 20 pessoas. Catorze anos depois, George Daskalakis, cofundador e CEO da Kaizen Gaming, esteve no festival Panathēnea, em Atenas, evento que reúne tecnologia, startups e investidores, para explicar a evolução da empresa para um decacórnio (empresa de capital fechado avaliada em 10 mil milhões de dólares ou mais) global após ultrapassar a crise financeira que assolou a Grécia no início do século e ainda a pandemia. Estas reflexões foram partilhadas durante uma conversa informal intitulada “Crazy Enough to Try: From Greece to the Globe.
Este projeto nasceu com a marca grega Stoiximan, que viria a ser progressivamente integrada na operadora grega OPAP, atualmente parte da Allwyn, a partir de 2018. Os resultados dessa fase acabaram por ser reinvestidos no crescimento da equipa, na tecnologia e no desenvolvimento da marca internacional da empresa, a Betano. Hoje, a Kaizen Gaming opera em vinte mercados na Europa, nas Américas e em África, e conta com cerca de três mil colaboradores em todo o mundo. “Com apenas 20 pessoas e um investimento de 700 mil euros, conseguimos construir um decacórnio a partir da Grécia”, realçou Daskalakis ao sublinhar o esforço necessário para escalar o negócio.
Como transformar adversidade em oportunidade
O responsável máximo da Betano recordou nesta conversa os períodos de forte pressão macroeconómica que testaram a resiliência da empresa. “O momento decisivo para a Kaizen Gaming aconteceu em 2015, quando os controlos de capitais e o encerramento dos bancos na Grécia fizeram desaparecer praticamente todas as receitas de um dia para o outro. Cerca de 93% dos nossos métodos de depósito ficaram indisponíveis”, sublinhou.
E depois? Depois veio a pandemia que voltou a impactar fortemente o negócio, com a suspensão global do desporto ao vivo a provocar a redução do volume de atividade para metade. Ainda assim, a experiência da crise anterior permitiu à equipa reagir rapidamente.
Em 2015, houve uma aposta no mercado grego, numa altura em que vários operadores internacionais desviavam o foco para outros mercados, tendo acabado por emergir como um dos maiores vencedores do setor apenas alguns meses depois.
Erro e aprendizagem a partir da Polónia
George Daskalakis destacou ainda os erros e as aprendizagens obtidas através da expansão internacional da Kaizen Gaming. O insucesso na Polónia foi resultado de erros na estratégia de entrada no mercado, na contratação e na adaptação local, fatores que levaram ao encerramento da operação ao fim de um ano. A má experiência serviu para aprender e essas aprendizagens foram depois aplicadas na Roménia, país onde foi feita uma abordagem mais eficaz para crescer internacionalmente. “Quando iniciámos a expansão, estávamos a construir para a Grécia e não para o mundo. O meu conselho para fundadores B2C é: comecem localmente, mas pensem globalmente desde o primeiro dia, sobretudo na era da inteligência artificial”, desafiou o responsável.