As negociações entre os Estados Unidos e o Irão, previstas para esta sexta-feira na Suíça, foram canceladas. O encontro deveria marcar o início da implementação de um memorando assinado entre os dois países com o objetivo de alcançar um cessar-fogo no Médio Oriente. A Casa Branca justificou o cancelamento com ‘questões logísticas’ e confirmou que o vice-presidente norte-americano, JD Vance, não viajou para Genebra. Mas alguns analistas afirmam que o que pesou para a suspensão foi o facto de Israel continuar a bombardear o Líbano, o que terá feito com que o Irão se mostrasse indisponível para ir à Suíça.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço confirmou o adiamento do encontro sem que tenha sido avançada uma nova data para a sua realização.
Os ataques no Líbano continuam já esta sexta-feira e registaram uma forte escalada, segundo as agências noticiosas. Os bombardeamentos atingiram várias regiões do país, gerando mais vítimas e destruição, o que está a ser observado como colocando em risco direto o acordo de cessar-fogo negociado entre os Estados Unidos e o Irão.
A nova vaga de ataques aéreos de Israel contra alvos no sul do Líbano e no Vale do Bekaa fez pelo menos 18 mortos e mais de 30 feridos. Em retaliação, o Hezbollah afirmou ter atacado tropas israelitas. O grupo declarou que agiu em ‘legítima defesa’ face às constantes violações do cessar-fogo por parte de Israel.
O cancelamento das negociações de sexta-feira entre Teerão e Washington em Burgenstock levantou dúvidas sobre a próxima fase das conversas. O site norte-americano ‘Axios’, citando fontes do país, informou que a posição da República Islâmica sobre o que chamou de violação do cessar-fogo por Israel no Líbano pode ser um dos motivos para o não comparecimento das negociações.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quinta-feira que ‘esperamos um cessar-fogo completo em todas as frentes, incluindo Líbano, Hezbollah e Israel’, após assinar um acordo com o Irão. ‘Os Estados Unidos estão comprometidos com a paz, e encorajamos todos na região do Oriente Médio a manterem o compromisso de permitir que nossas negociações se desenrolem da melhor forma possível’, escreveu Trump nas redes sociais.
Como costuma, Israel adianta que os ataques no Líbano são o direito israelita de responder aos ataques do Hezbollah.