Depois da rejeição do pacote laboral, o primeiro-ministro veio, esta sexta-feira, lamentar que os extremos se tenham juntado para chumbar a reforma laboral.

Quando questionado sobre o chumbo da reforma laboral, o primeiro-ministro assegurou que “o Governo não vai desistir de dar a Portugal condições para que o partido seja mais competitivo, mais produtivo e por via disso que se possam gerar mais oportunidades de emprego e pagar melhores salários”.

“Esse é o seu objetivo central do impulso legislativo que propusemos em primeiro lugar à concertação social e agora ao Parlamento para que o país não perca oportunidades”, garantiu.

No entanto, o chefe de Governo não deixou de lamentar “que quer à esquerda quer à direita este sentido estratégico e de futuro não tenha tido acolhimento e pelo contrário os dois extremos do espectro se tenham juntado praticamente utilizando os mesmos argumentos”.

Além disso, o governante também não deixou de dizer que não chegou “a acordo na concertação social sobretudo pela intrasigência da UGT e da sua tendência socialista”.

“Agora no Parlamento tivemos um processo negocial profundo, sério, com o partido da oposição que tem mais representação parlamentar, o Chega, e eu diria que, na grande maioria das matérias, se vislumbrava um entendimento relativamente fácil de alcançar. Sucede que uma condição que foi imposta por esse partido para viabilizar o global das alterações que eram propostas era mexermos na sustentabilidade da segurança social e na possibilidade não fundamentada de alterar a idade da reforma, fosse de uma forma generalizada, fosse para um segmento concreto de trabalhadores, no caso os trabalhadores que trabalham por turnos rotativos de forma permanente”, disse..

Para o Governo “as pensões são sagradas”. “E jamais tomarei qualquer medida que possa prejudicar no futuro o pagamento das pensões. Que possa levar o país a um corte no montante das pensões ou a uma alteração não calibrada, não amadurecida das contribuições, seja de trabalhadores, seja de empregadores”, frisou.

“Tentei até à última hora demonstrar a necessidade de não o fazer de forma precipitada, a quente e de propor que se criasse no Parlamento uma comissão eventual que fizesse o aprofundamento da matéria, das propostas e do seu impacto financeiro. Para termos o fundamento para decidir. Infelizmente o partido chega não concordou e portanto fez depender o apoio às alterações da legislação laboral, que diga-se também não incorporavam nenhuma matéria relativa a reformas e a pensões, mas fez depender a sua posição nessa condição”, afirmou Montenegro.

Sobre o sentido de voto do Chega, o primeiro-ministro disse que: “Do ponto de vista político é legítimo, do ponto de vista político é admissível, mas do nosso ponto de vista político é inaceitável. E portanto foi isso que culminou”.