As transferências de crédito habitação, em que o cliente leva o empréstimo de um banco para outro com melhores condições, ganharam peso na procura. Segundo a análise de mercado de crédito habitação do ComparaJá, plataforma de comparação e intermediação de crédito, as transferências representaram 39% dos pedidos no mês mais recente, o valor mais alto do ano e acima dos cerca de 33% registados no início de 2026.

O movimento não é casual. Quando os juros sobem, a diferença entre um spread antigo e as condições atuais do mercado pode justificar a mudança, sobretudo em contratos assinados há vários anos. A transferência tornou-se uma das principais ferramentas de defesa do orçamento das famílias com crédito à habitação.

Os mesmos dados mostram que a aquisição continua a ser o principal motivo de pedido de crédito, com perto de 48% da procura, mas a subida das transferências revela consumidores mais atentos e dispostos a comparar. O montante médio financiado mantém-se acima dos 200 mil euros, com prazos médios próximos dos 33 anos.

«Cada vez mais famílias percebem que o crédito não é um contrato para a vida e que vale a pena renegociar ou transferir quando as condições mudam. Numa fase de juros em alta, comparar o spread atual com o do contrato pode revelar poupanças significativas»

Rita Sogalho, Team Leader de Crédito Habitação do ComparaJá

Transferir um crédito implica custos, como a avaliação do imóvel e eventuais comissões, que devem ser comparados com a poupança esperada na prestação. Quem pondera a mudança pode simular a transferência antes de decidir. Quando a diferença de spread é relevante, a conta tende a compensar.