O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou esta quinta-feira que a posição do Chega sobre o pacote laboral é “inaceitável”, após o partido de André Ventura ter inviabilizado a aprovação do diploma ao condicionar o seu voto à descida da idade da reforma.

Em declarações aos jornalistas, Montenegro sublinhou que o Governo estava disponível para negociar, mas que a exigência do Chega de incluir a redução da idade da reforma no acordo era “intransigente” e “fora do espaço de compromisso possível”.

“Apresentámos uma proposta equilibrada, que resultou de um diálogo alargado com os parceiros sociais. O Chega colocou uma condição prévia que não fazia parte do pacote laboral e que, a ser aceite, teria consequências graves para a sustentabilidade da Segurança Social”, afirmou o chefe do executivo.

O líder do PSD acusou ainda o partido liderado por André Ventura de “preferir o espetáculo político à governação”, lembrando que o pacote laboral incluía medidas importantes para a modernização das relações de trabalho, como a simplificação dos contratos e o reforço dos direitos dos trabalhadores em regime precário.

A reação de Montenegro surge depois de o Chega ter anunciado o chumbo do pacote laboral, justificando que o governo “não cedeu um milímetro” nas negociações. O partido de extrema-direita exigia, como contrapartida para viabilizar o diploma, a aprovação de uma redução da idade da reforma para os 65 anos.

O pacote laboral, que tinha sido anunciado como uma das prioridades legislativas do executivo, seguirá agora para discussão na Assembleia da República num clima de incerteza política, com o governo a enfrentar dificuldades para garantir maiorias estáveis.