Abelardo de la Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, venceu a segunda volta das eleições presidenciais da Colômbia realizadas este domingo. Espriella, de extrema-direita, superou o senador Iván Cepeda, de esquerda, por menos de 250 mil votos. Espriella assumirá a presidência a 7 de agosto próximo.

Apelidado de ‘El Tigre’, Espriella nasceu em Bogotá em 1978 e conquistou o eleitorado apresentando-se como um “salvador anti-establishment” muito ao gosto de Javier Milei, presidente da Argentina. À frente das suas propostas está a intenção de combater o crime organizado, cortar programas governamentais e impostos e revitalizar a exploração de petróleo.

Espriella fundou a De La Espriella Lawyers Enterprise, um escritório de advocacia empresarial e possui uma vasta rede empresarial que inclui vinhos, rum, têxteis e imóveis. Como advogado, representou várias pessoas ligadas a escândalos de corrupção e desvio de dinheiro e paramilitares de extrema-direita.

Abelardo é filiado ao Movimento de Salvação Nacional (MSN), um partido político de extrema-direita fundado em 1990 por Álvaro Gómez Hurtado, assassinado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) em 1995. É também cidadão naturalizado da Itália e dos Estados Unidos. Já viveu em Miami e é filiado ao Partido Republicano norte-americano, segundo a imprensa colombiana.

Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o agora futuro presidente prometeu uma ofensiva militar contra o tráfico e a construção de dez megaprisões. “No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella durante a campanha.

A violência é o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia. Só depois disso surgem preocupações pelo aumento do défice fiscal, apesar de o atual governo ter aumentado o salário mínimo nominal em 75% e reduzido o desemprego. Espriella culpa Gustavo Petro pelos problemas económicos e de segurança da Colômbia e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado.

Javier Milei, o presidente do Equador Daniel Noboa e Donald Trump já enviaram os parabéns ao futuro presidente da Colômbia. Com a sua vitória, o equilíbrio direita-esquerda na América do Sul quebrou-se: há agora sete países da região governados pela direita e cinco pela esquerda. Tudo isto exerce pressão sobre o Brasil.