O conflito no Médio Oriente continuou a marcar a semana que passou, com as incertezas a dominarem os investidores, que reduziram as suas exposições.
Há já nove semanas que este conflito tem dominado os mercados, com Irão e Estados Unidos a não conseguirem chegar a um acordo de paz. “O Irão recusa-se a negociar enquanto o bloqueio naval se mantiver, enquanto Donald Trump afirmou que «tem todo o tempo do mundo» e não tenciona apressar a resolução do conflito”, referem os analistas da XTB.
As incertezas geopolíticas foram acompanhadas pela divulgação de dados económicos importantes, nomeadamente dos pedidos de subsídio de desemprego nos Estados Unidos, que ficaram acima das expectativas, contudo continuam a “indicar um mercado de trabalho relativamente restrito”.
Já a atividade empresarial norte-americana ganhou impulso em abril, com a leitura preliminar do índice de gestores de compras do setor industrial a subir.
No Reino Unido, a inflação subiu para 3,3%, enquanto na Zona Euro a atividade empresarial contraiu inesperadamente.
Esta semana há reunião da Fed, na quarta-feira, onde Reserva Federal deve manter as taxas no intervalo dos 3,50% – 3,75%, “reforçando uma postura dependente dos dados, enquanto reconheceu uma maior incerteza decorrente do conflito crescente no Médio Oriente e do aumento dos preços da energia”.
“Não se espera qualquer alteração na reunião, com os mercados de futuros a descontar uma probabilidade quase certa de manutenção. A atenção voltará a centrar se na conferência de imprensa do presidente Powell para detetar quaisquer mudanças de tom. O mercado de taxas dos EUA está agora a descontar apenas 7 pb de flexibilização para todo o ano de 2026, uma redução significativa em relação aos cerca de 60 pb descontados no final de fevereiro”, apontam os analistas.
O BCE também vai estar reunido, na quinta-feira. Na última reunião o banco europeu manteve as taxas inalteradas nos 2,00%, com o conselho do BCE a apresentar uma “clara viragem hawkish, reconhecendo que o conflito crescente no Médio Oriente e o consequente aumento dos preços da energia tinham introduzido riscos de subida para a inflação”.
Para esta reunião os analistas não preveem nenhuma alteração das taxas, contudo, “a perturbação em curso no Estreito de Ormuz apenas intensificou as preocupações inflacionistas. Lagarde e outros responsáveis do BCE têm enfatizado a necessidade de estar atentos a qualquer alargamento do choque energético aos preços subjacentes, aos salários e às expectativas de preços de venda, num esforço para distinguir entre um choque temporário do lado da oferta e um que exija uma resposta política”.
A earning season nos Estados Unidos vai continuar, com cinco das sete magnificas a apresentarem os seus resultados.