O Crédito Agrícola fechou o primeiro trimestre de 2026 com um resultado líquido consolidado de 73,8 milhões de euros, o que traduz uma quebra homóloga de 26,1% face aos 99,8 milhões do primeiro trimestre de 2025. A rentabilidade dos capitais próprios (ROE) passou de 13,8% em março de 2025 para 9,3% em março de 2026, num trimestre marcado pela descida da margem financeira e pelo reforço de provisões e imparidades.
Segundo o comunicado, a margem financeira caiu -8,9% para 155,6 milhões de euros em termos homólogos, enquanto o reforço líquido de imparidades e provisões penalizou o resultado, embora as comissões líquidas tenham subido 12,8% para 39,9 milhões de euros.
“O reforço líquido de provisões e imparidades foi de 0,7 milhões de euros no 1º trimestre deste ano, o que compara com uma reversão líquida de 12,2 milhões de euros no 1º trimestre de 2025 (+12,9 milhões de euros), enquadrado num contexto de estabilização dos níveis de incumprimento observados e de visão conservadora sobre riscos emergentes, o que se traduz num custo do risco de crédito de 0,01% (um acréscimo de 10 pontos base face a março de 2025”, explica o grupo em comunicado.
A pesar no resultado consolidado esteve ainda o decréscimo em 6,8 milhões de euros (-27,3%) face ao período homólogo nos resultados de contratos de seguros, totalizando 18,0 milhões de euros no primeiro trimestre e refletindo o impacto negativo, na CA Seguros, do aumento dos custos com sinistros associados às intempéries ocorridas no primeiro trimestre de 2026, nomeadamente a tempestade Kristin.
As seguradoras do Grupo CA apresentaram um contributo negativo para o Resultado Líquido Consolidado de -1,9 milhões de euros no primeiro trimestre, A CA Vida apresentou um resultado líquido de 2,1 milhões de euros, o que compara com 3,4 milhões de euros no mesmo período do ano passado, correspondendo a uma redução homóloga de 36,4%. A CA Seguros apresentou um resultado líquido de -4,0 milhões de euros (1,7 milhões de euros no 1º trimestre de 2025), justificado pelo impacto negativo dos custos com sinistros associados às intempéries.
O Crédito Agrícola destaca ainda a redução do resultado de operações financeiras em 4,7 milhões de euros, para -0,4 milhões de euros no 1º trimestre, face a um resultado positivo de 4,3 milhões de euros no período homólogo. “Esta deterioração do resultado de operações financeiras reflete sobretudo perdas em dívida pública e instrumentos de capital, parcialmente compensadas por menores perdas em derivados de cobertura”, explica o banco.
O produto bancário caiu -9,2% para 210,5 milhões de euros.
A ajudar à conta de resultados esteve ainda a redução homóloga de 9,2 milhões de euros dos Impostos face ao registado no 1º trimestre de 2025 (-34,9%) para 17,2 milhões de euros no período até março de 2026.
Os custos operativos cresceram 5,7% para os 120,3 milhões de euros, pelo que o rácio de eficiência se fixou em 57,1% (piorou 8 pontos percentuais). Em parte devido ao aumento de custos com pessoal em 2,7% face ao período homólogo (+1,9 milhões de euros).
A conta de resultados do grupo liderado por Sérgio Frade foi sustentada, ainda assim, por uma atividade comercial resiliente, forte produção de crédito e níveis robustos de capital e liquidez. O banco destacou o crescimento das comissões líquidas, a expansão do crédito à habitação e a manutenção de indicadores prudenciais confortáveis.
Crédito jovem com garantia ascende a 212,4 milhões de euros
A carteira de crédito bruto a clientes cresceu 2,7% face ao final de 2025, para 14.112 milhões de euros, superando a evolução do mercado, enquanto os depósitos de clientes subiram para 23.951 milhões de euros. Na comparação face a março de 2025 o crédito a clientes cresceu 8,9% (o mesmo ritmo de crescimento dos depósitos).
O crédito à habitação foi um dos motores da evolução, com aumento de 128,5 milhões de euros no trimestre, e o grupo assinalou também o oitavo trimestre consecutivo de crescimento nesse segmento.
Neste crescimento está incorporada a evolução favorável verificada no segmento de crédito habitação no valor de 128,5 milhões de euros (ou +3,2%) face ao final de 2025. O segmento de crédito habitação cresceu, assim, pelo oitavo trimestre consecutivo, prosseguindo com a trajetória de recuperação verificada desde o início de 2024. O Crédito Agrícola disponibiliza também crédito habitação ao segmento jovem, no âmbito das garantias públicas em vigor, cabendo ao Crédito Agrícola um montante total de 59,6 milhões de euros de garantias públicas, após um reforço de 25 milhões de euros, concedido já em abril de 2026.
O Crédito Agrícola diz que até final de março de 2026, tinham sido concedidos 212,4 milhões de euros de crédito habitação a jovens, correspondendo a 1.256 contratos e a 30,5 milhões de euros de garantia pública.
Em termos de qualidade dos ativos o rácio de NPL bruto fixou-se em 3,7%, estável face ao final de 2025 e abaixo dos 4,5% registados em março de 2025. “Deduzindo as provisões e imparidades para NPL, o rácio líquido situa-se em 2,0%”, refere o banco. Em termos absolutos, a carteira de NPL registou um ligeiro acréscimo de 7,6 milhões de euros face a 31 de dezembro de 2025 para 492,9 milhões de euros, diz o grupo.
A cobertura por imparidades é de 45,6%, subindo para 69,4% quando se trata de imparidades para crédito.
Por outro lado, até março de 2026, a exposição imobiliária do Grupo CA reduziu 3,5% face a dezembro de 2025, correspondente a -8,3 milhões de euros, para 224,9 milhões de euros (exposição bruta direta e indireta). A cobertura por imparidades da exposição imobiliária bruta cifrou-se em 55,0% no final de março de 2026 (56,1% no final de 2025).
O grupo detalha que “mesmo considerando o atual contexto económico e geopolítico, bem como os seus impactos no contexto operacional das empresas e na vida das famílias, com referência a 31 de março de 2026, o peso da exposição do Grupo CA classificada em Stage 3 manteve-se estável face ao final de dezembro de 2025, cifrando-se em 3,1%. O peso da exposição em Stage 2 cresceu ligeiramente, em 0,4 p.p. face ao final de 2025, cifrando-se em 8,2% no final do trimestre.
Do outro lado do Balanço, no final de março de 2026, os recursos de clientes sob a forma de depósitos bancários ascendiam a 23.951 milhões de euros, um crescimento de 0,5% face a dezembro de 2025 e um crescimento homólogo de 8,9%. Os recursos de clientes em seguros de capitalização e fundos de investimento comercializados pelo Grupo Crédito Agrícola aumentaram para 2.694 milhões de euros.
Solidez financeira
A instituição manteve rácios de capital e liquidez em níveis elevados, com o rácio de capital CET1 nos 23,3%, o LCR (Liquidity Coverage Ratio) nos 365,6% e o NSFR (Net Stable Funding Ratio ou Rácio de Fundamento Estável Líquido) de 175,3%, todos acima dos mínimos exigidos.
Com referência a 31 de março de 2026, o Grupo CA detinha 3.700 milhões de euros em instrumentos elegíveis para cumprimento do rácio MREL.
O presidente do Grupo Crédito Agrícola, Sérgio Raposo Frade, sublinhou que “no primeiro trimestre de 2026, o Grupo Crédito Agrícola voltou a demonstrar a resiliência do seu modelo cooperativo e a solidez da sua base financeira”. Acrescentou ainda que “os resultados alcançados refletem uma gestão prudente e consistente, assente no crescimento sustentável da atividade, na qualidade dos ativos e numa rigorosa disciplina financeira”.
O trimestre ficou também marcado pelo impacto das intempéries de janeiro e fevereiro, que levaram o grupo a mobilizar mais de 228 milhões de euros em medidas de apoio a famílias e empresas. Na resposta às tempestades, foram concedidas moratórias e linhas de crédito específicas, num esforço que a administração descreve como prova da “resiliência do seu modelo cooperativo” e da “solidez da sua base financeira”.
“Em resposta aos danos causados pelas tempestades que atingiram o País no primeiro trimestre de 2026, o Grupo Crédito Agrícola reforçou, de forma significativa, o seu apoio às famílias, empresas e comunidades afetadas, mobilizando mais de 228 milhões de euros em medidas de apoio financeiro”, revela o Grupo CA. Deste montante, acrescenta, o apoio mais expressivo foi concedido no segmento de empresas, com a atribuição de 134,4 milhões de euros em moratórias e a disponibilização de 81,5 milhões de euros em linhas de crédito específicas, destinadas a apoiar a continuidade da atividade económica e a recuperação dos negócios impactados. Foram ainda concedidas moratórias a clientes particulares de créditos no montante de 12,1 milhões de euros, permitindo aliviar temporariamente os encargos e esforço das famílias.