Comprar casa em Portugal pode significar coisas muito diferentes consoante o ponto do mapa. Entre a capital e o Interior, a distância não se mede apenas em quilómetros, mas em milhares de euros de empréstimo e em centenas de euros de prestação. Os dados da ComparaJá sobre crédito à habitação descrevem um mercado a duas velocidades.

Lisboa, o centro de gravidade

Segundo a análise de mercado da ComparaJá, Lisboa concentra 51,4% de toda a procura de crédito. Com os preços que pratica, o montante médio financiado na capital ronda os 204 mil euros, e a prestação acompanha esse peso. É o mercado mais ativo do país, mas também o mais exigente para o orçamento familiar, ao obrigar a financiar valores que, noutras regiões, dariam para duas habitações.

O Interior que ganha procura

Longe do litoral, o cenário muda. Em vários distritos do Interior, o montante médio financiado pode ficar próximo de metade do de Lisboa, e a prestação desce na mesma proporção. Viseu é o exemplo do momento, com a procura a saltar de 1,7% para 6,5% num só mês, enquanto Setúbal recuperou para 11,2%. Antes de decidir, vale a pena perceber que casa o orçamento permite comprar em cada zona.

A matemática da localização

A diferença é estrutural: onde o imóvel custa menos, financia-se menos, paga-se menos por mês e a taxa de esforço fica mais folgada, mesmo com o mesmo rendimento. Por outras palavras, o esforço de comprar casa não depende só de quanto se ganha, mas também de onde se decide comprar. Com o teletrabalho a dar mais flexibilidade geográfica, esta conta passou a fazer parte das decisões de muitas famílias.

«Os dados mostram um mercado cada vez mais segmentado, com Lisboa a dominar mas com o Interior a ganhar procura. Para o consumidor, isto significa que há margem para escolher, e que comparar montantes e prestações entre regiões pode mudar por completo o peso do crédito no orçamento.»

Rita Sogalho, Team Leader de Crédito Habitação da ComparaJá