O preço das casas em Portugal voltou a atingir um máximo histórico. Em maio, o valor mediano de venda situou-se em 3.142 euros por metro quadrado, mais 10,2% do que um ano antes, segundo as notícias mais recentes. Foi o sexto mês consecutivo de recordes, num mercado que não dá sinais de abrandar.
As subidas não são uniformes. A Área Metropolitana de Lisboa mantém-se como a região mais cara, com valores acima dos 4.300 euros por metro quadrado, mas os maiores aumentos anuais registaram-se em distritos do interior, com Santarém, Viseu e Beja a liderarem as subidas, acima dos 20%. O encarecimento deixou de ser um fenómeno exclusivo das grandes cidades.
Para quem compra com crédito, o efeito é duplo. Preços mais altos obrigam a financiar montantes maiores e a fazer entradas iniciais mais elevadas. Segundo a análise de mercado de crédito habitação do ComparaJá, o montante médio de empréstimo já ultrapassa os 200 mil euros e o prazo médio dos contratos subiu para 33 anos, à medida que as famílias procuram conter a prestação alongando o crédito.
A esta pressão soma-se a dos juros. Depois de a inflação, que se manteve em 3,3% em maio, ter levado o Banco Central Europeu a subir as taxas em junho, a EURIBOR retomou a subida e encareceu as prestações dos contratos indexados. Comprar caro e financiar a juros mais altos é uma combinação que estreita o orçamento das famílias.
Num mercado assim, a margem de manobra do consumidor está sobretudo na negociação do crédito. Comparar propostas de vários bancos, negociar o spread e, quando faz sentido, transferir o crédito para melhores condições são as formas de atenuar o impacto de preços e juros que o comprador, por si só, não controla.