Comprar casa custa, em prestação mensal, mais do dobro num distrito do que noutro. Segundo a análise de mercado de crédito habitação do ComparaJá, plataforma de comparação e intermediação de crédito, a prestação média mais elevada do país regista-se em Aveiro, perto de 967 euros, enquanto a mais baixa se situa em Viseu, à volta de 398 euros. Entre os dois extremos vão 569 euros por mês.
Entre os valores mais altos surgem também distritos como Faro, com cerca de 762 euros, e as zonas urbanas de Lisboa e Braga, próximas dos 752 euros. No outro lado da tabela, vários distritos do interior apresentam prestações bem mais contidas, reflexo de preços do imobiliário e montantes financiados mais baixos.
A diferença explica-se sobretudo pelo preço da habitação em cada região e pelo montante necessário para comprar. Onde as casas são mais caras, financia-se mais e a prestação sobe na mesma proporção, um efeito que se prolonga pelos 33 anos de prazo médio dos contratos. A subida dos juros, depois da decisão do Banco Central Europeu em junho, agrava este retrato sobretudo onde as prestações já são altas, porque incide sobre montantes maiores.
Para o consumidor, a leitura é prática: o custo do crédito não depende apenas do banco, depende também de onde e de quanto se compra. Comparar propostas e negociar o spread é tanto mais importante quanto mais elevado for o montante financiado, e é nas regiões de prestações altas que uma boa negociação rende mais.
É também aí que pequenas diferenças se tornam grandes. Numa prestação de quase mil euros, baixar a taxa em poucas décimas, através da negociação ou da comparação de várias propostas, pode significar uma poupança de milhares de euros ao longo do contrato, num exercício que começa por negociar o spread.