O Montepio desistiu da venda da Lusitânia Vida e da Lusitânia Seguros, conforme apurou o Jornal Económico. A decisão marca o fim de um processo que se arrastava desde março, quando a Associação Mutualista Montepio Geral contratou a Société Générale para encontrar opções no mercado para a venda parcial ou total das seguradoras.

Segundo fontes próximas do processo, o principal obstáculo à concretização do negócio foi a oposição a um eventual acordo de bancassurance, que permitiria a venda de seguros nos balcões do banco. A CNP Assurances, que chegou a apresentar uma proposta e a ter negociações avançadas, acabou por ver o negócio falhar.

Contactada, fonte oficial do Montepio afirmou que “o Montepio Associação Mutualista não tem comentários a prestar”. A notícia do interesse da CNP nas seguradoras Lusitânia foi avançada em abril pelo Mergermarket e confirmada pelo Jornal Económico.

O processo de venda resultou, afinal, apenas numa mera auscultação ao mercado para aferir o valor das duas companhias. Em janeiro, o presidente Virgílio Lima admitiu a possibilidade de “parcerias de desenvolvimento” envolvendo as seguradoras, afirmando que “não precisamos de ter 100% para manter a atividade seguradora” e que seria “natural que possamos fazer alguma parceria de desenvolvimento no momento adequado”.

Em 2025, as seguradoras Lusitânia Vida e Lusitânia Seguros registaram conjuntamente uma quebra de 2,8% nos prémios, para 412 milhões de euros, descendo para o 11.º lugar no ranking dos grupos seguradores em Portugal.

Entretanto, a Lusitânia Vida notificou as autoridades de supervisão de vários países da União Europeia, incluindo Alemanha, França e Espanha, da sua intenção de exercer atividade em livre prestação de serviços, o que indica uma possível mudança de estratégia para expandir o negócio além-fronteiras.