A ficção televisiva continua a exibir sinais fortes de criatividade. As nomeações para os Emmys 2026 foram divulgadas esta semana e a seleção mostra a incrível versatilidade dos conteúdos produzidos atualmente pelas produtoras americanas.
Na comédia, “Hacks” (HBO) é uma das séries mais bem escritas e fascinantes que acompanhei nos últimos anos. Estreou a sua quinta e última temporada este ano, e centra-se numa comediante famosa, Deborah Vance, que precisa de recorrer aos serviços de uma jovem argumentista para poder acompanhar os novos tempos e manter-se na ribalta.
A relação de amor e ódio entre ambas é a dinâmica que mantém a série tão divertida, mas é também um retrato satírico dos bastidores da indústria dos agentes e celebridades que não olham a meios para atingir fins. A dimensão humana que a atriz Jean Smart traz à figura de Deborah, a par do seu talento para a comédia, tornaram “Hacks” uma série que explora a fundo as questões atuais em torno de duas gerações distintas de mulheres.
“The Pitt” (HBO) tornou-se a série sensação dos últimos dois anos, com o regresso de Noah Wyle aos serviços de urgência de hospitais. Quem não se lembra dele como o jovem Dr. Carter na mítica série “ER”, estreada na década de 90? “The Pitt” poderia ser essa série transposta para a atualidade, mas equilibra melhor a carga dramática que afeta os médicos, tanto jovens como veteranos, e não foge de abordar os traumas do período pandémico.
Cada temporada cobre um dia no serviço de urgências, com casos clínicos sucessivos, que mostram como estes médicos e enfermeiras são o “last man standing” num sistema sob elevada pressão e que pode falhar demasiado facilmente, com consequências tremendas.
Por fim, a grande surpresa do ano, nomeada na categoria de comédia, foi “Widow’s Bay” (Apple). Uma comunidade fictícia, numa ilha americana, é governada por um Presidente da Câmara (Matthew Rhys) empenhado em transformar a localidade numa grande atração turística, mas há uma maldição misteriosa na ilha que vai arruinar os seus planos. Ao quarto episódio, a série muda bruscamente de tom e passa a homenagear os grandes clássicos de horror, sem nunca abdicar de uma boa dose de risos. Provavelmente, é uma das combinações mais difíceis em ficção: bom horror e boa comédia, mas alcançaram essa proeza graças a um elenco irrepreensível e ao talento da produtora e argumentista da série, Katie Dippold.
Se quiserem aproveitar as férias para pôr séries televisivas em dia, estas três não vão desiludir.