A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria deu parecer desfavorável à proposta do Programa Setorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (ZAER), criticando a dimensão excessiva das áreas e a falta de articulação com os municípios.

Num comunicado, a CIM considerou as zonas desproporcionadas, com estimativas de ocupação entre 12% e 30% do território de vários concelhos, sem avaliação de efeitos cumulativos. A entidade alertou também para o risco de conflito com áreas de expansão empresarial e industrial previstas nos Planos Diretores Municipais (PDM), comprometendo o investimento e o desenvolvimento económico local.

A CIM defendeu que a proposta subestima os impactes paisagísticos e territoriais do reforço da rede elétrica, e que não pondera soluções alternativas com menor pegada territorial, como o aproveitamento do potencial hidroelétrico, eólicas offshore, hidrogénio verde, biometano e biomassa. Em vez da ocupação extensiva de solo rústico, a região propõe priorizar o autoconsumo, a produção descentralizada e a reconversão de áreas artificializadas.

O presidente da CIM, Jorge Vala, expressou enorme preocupação, afirmando que a proposta ignora os instrumentos de gestão territorial em vigor e as estratégias de desenvolvimento dos municípios. A proposta está em consulta pública até quarta-feira, com 1.762 participações registadas.