As promessas da inteligência artificial (IA) generativa são avassaladoras. Em poucos meses, ferramentas como os grandes modelos de linguagem (LLMs) passaram de curiosidade tecnológica a instrumento corrente de produtividade, com impacto especialmente relevante na programação. Um programador consegue produzir código mais rapidamente, testar alternativas e automatizar tarefas repetitivas que antes consumiam horas de trabalho.
Esta evolução levanta uma questão intrigante: poderemos ter empresas de software totalmente robotizadas, com apenas um empregado a gerir sistemas? O paralelo com a indústria automóvel é evidente, mas o ritmo da transformação digital é mais acelerado por lidarmos com ativos digitais, sem as limitações físicas.
José Alves Marques, engenheiro informático e professor universitário, reflete sobre estas mudanças. Com uma carreira ligada aos principais marcos da engenharia informática em Portugal, desde os cartões perfurados à cloud, ele admite que, desta vez, os fundamentos do ensino podem ser abalados. Durante décadas, a programação ensinava simultaneamente tecnologia e fundamentos, com o erro a fazer parte da aprendizagem. Agora, com modelos que produzem código funcional rapidamente, essa abordagem é desafiada.
Na profissão, as mudanças são radicais: clientes, consultoras e empresas de produto enfrentam uma transformação acentuada, amplificada pelo mercado. Novos desafios surgem, como segurança, confiabilidade dos modelos, governança de dados, shadow IT e o Regulamento Europeu IA ACT.
Marques propõe uma reflexão com universitários, profissionais e gestores de TI, abordando temas como o futuro da Engenharia Informática, a confiabilidade da IA, problemas antigos amplificados pelos LLMs e o impacto no emprego. A pergunta final permanece: teremos uma empresa de mil milhões com um só empregado?