O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, afirmou que a “proibição total de comércio” com os colonatos ilegais na Cisjordânia é a “única medida possível” para o país, considerando que esta posição já vem “tardíssimo”. A declaração foi feita em resposta a pressões crescentes para que Portugal alinhe sua política externa com as resoluções da ONU que condenam a expansão dos assentamentos israelenses em territórios palestinianos ocupados.

De acordo com informações apuradas, a medida visa impedir transações comerciais com empresas e entidades localizadas nos colonatos, considerados ilegais pelo direito internacional. A posição portuguesa reflete um movimento mais amplo da União Europeia para restringir o comércio com essas áreas, embora Portugal seja um dos primeiros estados-membros a defender explicitamente uma proibição total.

Rangel destacou que a decisão está em conformidade com o direito internacional e com as posições históricas de Portugal sobre o conflito israelo-palestiniano. A iniciativa ocorre num momento de escalada de tensões na região, com relatos de novos confrontos e expansão de colonatos durante o governo de Benjamin Netanyahu.

Organizações de direitos humanos, como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch, há muito que apelam à comunidade internacional para impor sanções económicas contra os colonatos, argumentando que estes violam os direitos dos palestinianos e dificultam a solução de dois Estados. A posição de Portugal é vista como um passo significativo nesse sentido, embora a implementação prática da proibição ainda dependa de medidas legislativas e administrativas.

A reação de Israel à declaração portuguesa foi de repúdio, com o governo israelense a acusar Lisboa de adotar uma postura “unilateral” e “discriminatória”. Por outro lado, a Autoridade Palestiniana saudou a iniciativa, considerando-a um contributo para a paz e a justiça na região.