“Houston, we’ve had a problem here”. Esta foi a expressão original utilizada pelo astronauta Jack Swigert na missão Apollo 13 da NASA, em 1970, depois de detetado um barulho que viria a ser identificado como uma explosão num tanque de oxigénio. A expressão, contudo, foi modificada no filme Apollo 13, de 1995, passando a “Houston, we have a problem”. Este sentimento representa bem o desempenho das ações da SpaceX desde que se estreou em bolsa a 12 de junho.
As ações da empresa de foguetões, satélites e inteligência artificial (IA), liderada por Elon Musk, negociaram na quarta-feira abaixo do preço de 135 dólares a que foram colocadas na estreia em bolsa (IPO). Durante essa sessão, as ações chegaram a negociar nos 132,62 dólares, embora tenham acabado por fechar nos 135,27 dólares. A marca cristalizou o risco de queda que vários analistas já haviam verbalizado.
Steve Sosnick, analista chefe de mercados da Interactive Brokers, considerou, citado pela BBC, que o facto de uma ação ter caído alguns dólares abaixo do preço do IPO “não é, por si só, uma tragédia, mas a SpaceX é seguida de perto e desempenha um papel importante” na perceção dos investidores. A queda no preço já fez com que a cotada tenha perdido 41% face ao pico de 225 dólares, subindo em flecha e depois começando a perder gás.
Esta desvalorização fez com que a participação de 42% que Elon Musk detém na cotada tenha encolhido de 1,2 biliões de dólares para cerca de 760 mil milhões de dólares. Atualmente, a SpaceX tem uma capitalização de 1,7 biliões de dólares, quando já chegou a valer cerca de 2,4 biliões de dólares. O atual valor de mercado coloca-a como a oitava cotada mais valiosa do mundo, atrás de Nvidia, Apple, Alphabet, Microsoft, Amazon, TSMC e Broadcom.
A desvalorização da SpaceX acontece numa altura em que a cotada já está integrada em vários índices bolsistas, como o Russell e o Nasdaq. A SpaceX integrou os índices globais do Russell a 22 de agosto e foi integrada em índices do Russell norte-americano a 29 de junho. No Russell norte-americano, a empresa está no Russell Top 50, Russell Top 200 e Russell 1000. No FTSE GEIS, está no Global All Series, FTSE All-World, FTSE World Index e FTSE Global Total Cap. A cotada entrou no Nasdaq a 7 de julho.
Além da integração nos índices, a SpaceX tem outra data importante: 12 de junho de 2027, quando potencialmente ficam disponíveis no mercado 96% das ações da empresa, incluindo a participação de 43% de Elon Musk. Atualmente, só menos de 5% das ações estão registadas para negociação no mercado de capitais. O calendário de lockup define várias datas ao longo de 2025 e 2026, com a disponibilidade progressiva de ações.
Em 2027, os períodos de lockup terminam em março (44,1%), maio (46,7%), junho (96%), agosto (99,5%) e setembro (100%). “Acreditamos que, a este nível, é relativamente seguro, pelo menos do ponto de vista da negociação, estar envolvido. Não vamos aumentar a nossa participação porque eles têm um período de bloqueio iminente”, considerou Jay Hatfield, CEO da Infrastructure Capital Advisors, citado pela Yahoo Finance. O prospecto do IPO já referia os riscos inerentes ao investimento.