A abertura do 8º Colóquio Hortofrutícola da Lusomorango, que acontece esta sexta-feira em Odemira, ficou marcada pelas críticas e desafios lançados por Loïc de Oliveira, presidente da Lusomorango, relativamente aos reptos que se colocam à agroindústria mas também aos apoios “insuficientes” no decurso das tempestades que assolaram o país no início deste ano.

“Os últimos anos têm trazido desafios cada vez mais complexos como tempestades que levam em horas o que levou décadas a construir. Temos que investir em conhecimento e tecnologia para responder a fenómenos extremos. queremos aumentar a resiliência da nossa atividade”, destacou este dirigente.

Loïc de Oliveira deixou o repto ao Governo: “Sejamos claros: precisamos de políticas públicas que mitiguem o risco e que os apoios públicos estejam à altura dos prejuízos”. E deu o exemplo do que aconteceu após as tempestades relativamente aos apoios: “Os agricultores ficaram desiludidos, os apoios foram tardios e em alguns casos, insuficientes. Precisamos de um Estado resiliente mas que deixe a economia fluir sem entraves”.

O presidente da Lusomorango lançou para a discussão três limitações que se colocam ao setor: gestão da água, burocracia e as pessoas. “Temos que aumentar a retenção da água e modernizar o perímetro de rega do Mira. Na burocracia, não podemos continuar anos à espera de pareceres e da indefinição do ICNF. E quanto às pessoas, estas são o fundamento da nossa atividade, por isso precisamos de atrair talento e de integrar quem escolhe Portugal para trabalhar e isso exige escolas, serviços públicos, habitação”.

Loïc de Oliveira deu ênfase aos números revelados por um estudo da EY, referentes a 2025 e que corporizam a importância da fileira dos pequenos frutos em Portugal (que triplicou a produção em dez anos para 91.400 toneladas): um impacto económico de 1.037 milhões de euros, 34.369 postos de trabalho, 580 milhões de euros em produção e exportações que se aproximaram dos 398 milhões de euros, 629 milhões de euros em remunerações e 276 milhões de euros em receita fiscal. Para este responsável, estes são “números extraordinários, que mostram que quando há condições para investir, o país cresce” e que “Portugal pode ter uma das agriculturas mais inovadoras da Europa mas é preciso que nos deixem inovar, produzir e alimentar”.