O mercado de crédito à habitação atingiu em maio o segundo valor mais elevado do ano, com 2.817 milhões de euros em novos contratos, confirmando a solidez estrutural da procura, segundo o Barómetro Simplefy de julho de 2026.
De acordo com Rui Lopes, CEO Simplefy, “os dados mais recentes demonstram que o mercado de crédito à habitação continua resiliente e dinâmico. Em maio, o crédito novo manteve-se acima dos 2 mil milhões de euros pelo terceiro mês consecutivo, confirmando que a procura por financiamento para compra de casa continua forte, apesar da pressão que ainda se sente sobre os orçamentos familiares. Simultaneamente, a preferência crescente por taxas mistas mostra que os portugueses valorizam cada vez mais a previsibilidade e a segurança nas suas decisões financeiras”.
Segundo o estudo, o crédito novo, excluindo renegociações, alcançou 2.166 milhões de euros, o que representa o terceiro mês consecutivo acima dos 2.000 milhões, “uma sequência inédita na série”.
O peso das renegociações recuou para 23,1% do total, o mínimo dos últimos meses, reforçando a transição para uma dinâmica dominada por crédito novo, refere o barómetro.
No que respeita às taxas de juro, a taxa média nos novos contratos subiu para 2,91% em maio, após mínimos de 2,81% registados recentemente, num movimento que acompanha a estabilização da Euribor a seis meses em torno dos 2,56%. A taxa do Banco Central Europeu (BCE) manteve-se em 2,15%.
A preferência pela taxa mista atingiu um novo máximo histórico, representando 85,1% dos novos contratos, enquanto a taxa variável recuou para 13,1%, mínimo histórico da série, e a taxa fixa manteve-se marginal, nos 1,6%.
O barómetro aponta ainda para a manutenção da valorização no mercado imobiliário. A avaliação bancária total subiu para 2.208 euros por metro quadrado em maio, novo máximo histórico, com uma valorização homóloga de 17,1%, ou seja, mais 322 euros por metro quadrado face a maio de 2025.
Por tipologia, os apartamentos atingiram 2.580 euros por metro quadrado e as moradias 1.581 euros por metro quadrado.
No plano macroeconómico, o barómetro indica que a inflação estabilizou nos 3,3% em maio, o valor mais elevado desde setembro de 2023, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) se manteve nos 2,3%.
O Índice de Clima Económico subiu para 2,80 pontos e o indicador de confiança dos consumidores recuperou para -26,4 pontos, após o mínimo do ano registado em abril. A taxa de desemprego fixou-se nos 6,1%.