Não são apenas as temperaturas que sobem em Portugal nesta altura do ano. O país continua a ser um dos mercados de arrendamento mais quentes da Europa este verão com Lisboa a registar o quinto aumento mais rápido entre as 127 cidades analisadas pela Tradingpedia através de dados da Numbeo, uma plataforma que recolhe dados sobre indicadores como habitação e custo de vida.

De acordo com dados recolhidos entre maio e julho deste ano, Lisboa entra no top 5 das cidades europeias com o aumento de rendas mais rápido, com uma subida de 8,61%: em maio, essa renda situa-se nos 1.331 euros mas em julho, esse valor passou para 1.446 euros. Porto (+3,43%) e Braga (+1,04%) também registaram subidas de rendas significativas no mesmo período mas encontram-se muito longe do topo: 37º e 68º, respetivamente.

Manchester (Reino Unido) lidera este ranking com uma subida de 12,45% para 1.640 euros; segue-se Cork (Irlanda) com incremento de 9,17% para 1.836 euros e Madrid (Espanha) com uma evolução de 8,95% para 1.395 euros. Basileia (Suíça) fecha o top 4 com uma subida de 8,69% para 1.910 euros.

Para identificar onde as rendas estão a subir e a descer mais rapidamente, a equipa da Tradingpedia comparou as rendas médias de um quarto no centro da cidade em 127 cidades europeias, usando dados da plataforma de custo de vida colaborativa Numbeo, recolhidos em maio de 2026 e julho de 2026.

A análise dá conta de que Lisboa “destacou-se como uma das capitais europeias menos acessíveis para quem arrenda ” já que “em maio, a renda por um quarto na cidade custava em média 1.331 euros por mês, o que equivale a 99,2% do salário médio local após impostos (1.343 euros), deixando os residentes, em teoria, com apenas 11 euros após o pagamento da renda”.

Sobre o Porto, a análise define o mercado de arrendamento da cidade como “um pouco mais acessível”, tendo em conta que “os rendimentos médios no centro da cidade estavam nos 1.108 euros por mês em maio de 2026, absorvendo 85,1% do salário médio mensal (1.302 euros após impostos)”. Já Braga “oferece um valor comparativamente melhor, mas ainda exige quase três quartos dos rendimentos locais (72,99%) para cobrir a renda”, destaca esta análise.

Os analistas responsáveis por este estudo realçam que “o mercado de arrendamento em Portugal parece estar a aquecer este verão” e que “os aumentos registados desde maio sugerem que a procura voltou com força no pico da época de verão”.

“O desempenho de Lisboa destaca-se não só por ser um dos mercados de arrendamento que mais cresce na Europa, mas também porque a acessibilidade atingiu um ponto extremo, onde as rendas médias absorvem agora praticamente todo o salário mensal”, realçam. E concluem: “Se este ritmo continuar na segunda metade do ano, as pressões sobre a acessibilidade em Portugal podem intensificar-se novamente”.