Contrariamente à narrativa oficial, os grandes problemas ambientais não se situam nas unidades industriais, sujeitas a um controle apertado, mas em meios urbanos, em especial nas grandes metrópoles, como Lisboa. Com agressões ambientais, ao nível da poluição do ar e das ameaças à saúde pública.
Um caso paradigmático reside nas condutas de lixo dos prédios urbanos, fontes de mau cheiro, sujidade e contracção de doenças.
As condutas de lixo surgiram nos finais do século passado, em edifícios para classes alta e média alta, no sentido de garantir que os ricos não precisavam de sair de casa para despejarem o lixo. Aumentaram os obesos e os cardíacos. Os pobres, com sol ou chuva, tinham de se deslocar à rua, para depositarem o lixo nos contentores camarários.
Com o incremento da consciência ambiental, no sentido da separação de vidros, plásticos e papel, para recirculação, a propagação de doenças em meios fechados e a aposta na mobilidade, em particular para os idosos, para evitarem doenças cardíacas, as condutas de lixo perderam a sua utilidade.
Está provado que a existência de condutas de lixo conduz a uma menor triagem e separação do lixo – é a natureza humana.
Os prédios modernos têm zonas específicas para o lixo, com separação, já não têm condutas de lixo e têm, em contrapartida, acessos directos de cabos eléctricos, de cada andar, para carregamento de veículos eléctricos nos lugares de estacionamento.
Mantém a preocupação ambiental, contribuindo para a redução das emissões de CO2 e aumentam o valor patrimonial das fracções.
A única utilidade para as condutas de lixo nos prédios actuais, reside, assim, na possibilidade da sua utilização para a passagem de cabos eléctricos para os carregadores de automóveis, como tem ocorrido e está a ocorrer em vários condomínios, com condóminos civilizados, progressistas e ambientalmente responsáveis.
Em que todos saem a ganhar. Os condóminos e o ambiente. Mas esta decisão não devia estar sujeita à arbitrariedade de votação em assembleia de condóminos.
O Estado, neste caso o Ministério do Ambiente e a Câmara Municipal de Lisboa, têm o dever de defender a saúde dos seus habitantes e pugnar pelo incremento da electrificação da mobilidade urbana. Através de normas obrigatórias, regulamentos nacionais e municipais, que obriguem ao encerramento das condutas de lixo.
Deixo ao Jornal Económico, um jornal progressista e ambientalmente responsável, o desafio de aprofundar estes temas.