O fundo de private equity britânico Permira comprou mais de 50% da Quadrante ao fundo espanhol Henko Partners e aos acionistas fundadores, num negócio que avalia a empresa portuguesa de consultoria especializada em engenharia, arquitetura e sustentabilidade, em cerca de 350 milhões de euros. A entrada do fundo Permira tem como objetivo apoiar a expansão internacional da empresa. Nuno Costa, CEO, revela que estão a estudar a compra de empresas nos EUA, Polónia e Alemanha. Desvenda também os projetos em que estão, e em que esperam vir a estar, envolvidos em Portugal.

O fundo de private equity britânico Permira comprou a Quadrante para apoiar a expansão internacional da empresa. Quais são os planos de expansão internacional e onde é que a Permira pode ajudar?
O nosso plano estratégico prevê uma expansão nos Estados Unidos e Europa Central e de Leste, onde queremos crescer tanto organicamente como através de aquisições, mantendo um crescimento orgânico nos restantes mercados. A Permira será o parceiro ideal para apoiar essa estratégia.

Vão comprar empresas nos EUA e na Europa de Leste e Central? Têm alguma coisa em vista?
Sim. Temos um perfil de empresas que procuramos na área da energia e da mobilidade e que, essencialmente, têm um fit cultural connosco. Ainda estamos na fase de elaboração das listas de potenciais aquisições. Estamos muito focados na Polónia e também estamos atentos a oportunidades na Alemanha. Procuramos empresas de projeto e fiscalização de obras nas áreas das infraestruturas de energia e mobilidade, incluindo ferrovia, metro e rodovia. Nos Estados Unidos procuramos empresas ligadas ao setor da energia.

Quanto é que o Henko vendeu da Quadrante ao fundo Permira? Como ficou a estrutura acionista?
Não posso divulgar percentagens. Posso apenas dizer que a Permira é o maior acionista, seguida pelos fundadores e depois pela Henko, que se manteve no capital. A Permira adquiriu participações à Henko e aos fundadores. O fundo Henko tinha 49,5% e tem neste momento menos de metade disso, e os fundadores venderam uma pequena percentagem, cerca de 4%, não consigo dizer com exatidão. Mas a Permira fica maioritária, com mais de 50%.

Qual é o investimento da Permira na Quadrante?
Também é confidencial. Mas posso dizer que os números são dessa ordem de grandeza. O valor da empresa situa-se entre os 300 e os 400 milhões de euros em termos de Enterprise Value.

Porque optaram pela entrada de um novo acionista?
Quando uma empresa tem um elevado potencial de crescimento, faz sentido reforçar o capital para acelerar esse crescimento. Crescer apenas com os recursos gerados internamente é sempre um processo muito mais lento.

A Permira vai entrar na gestão?
Sim. A Permira irá nomear administradores não executivos para o conselho de administração, onde estará representada de forma maioritária. A comissão executiva mantém-se inalterada. Eu continuo como CEO, o Pedro Gomes mantém-se como CFO, os restantes fundadores continuarão na comissão executiva e o Ricardo Mergulhão será nomeado Chief Human Resources Officer.

Esperam concluir a operação quando?
No quarto trimestre, após as aprovações regulatórias. Esperamos que o calendário seja cumprido.

Quais são atualmente os principais projetos da Quadrante em Portugal?
Portugal só vale 25% da nossa atividade, porque o mercado é pequeno. No entanto, estamos envolvidos em projetos de alguma dimensão, como a fábrica de baterias da CALB, onde somos responsáveis pelo projeto global, incluindo estudos ambientais, arquitetura e engenharia. Estamos também envolvidos em dois contratos com o Metro de Lisboa — a Linha Vermelha e a Linha Violeta, muito importantes para a cidade de Lisboa, mas as obras estão atrasadas. Fizemos também o projeto do Metro do Porto, a Linha Rubi, que está em construção — uma obra que vai mudar completamente a mobilidade na área metropolitana do Porto. Estamos envolvidos ainda em novos projetos industriais na área do biometano e do hidrogénio verde em Portugal. Fizemos também os estudos ambientais para a nova dessalinizadora do Algarve e estamos no maior projeto de energias renováveis de Portugal, o projeto da Enel Green Power, na zona do Pego, que consiste na reconversão da central do Pego, substituindo a potência que anteriormente era ali produzida por potência de energias renováveis.

E nas grandes infraestruturas previstas para Lisboa?
Esperamos participar tanto na terceira travessia do Tejo como nos estudos do futuro túnel submerso Algés-Trafaria. Estamos atualmente a desenvolver o projeto do túnel Santos-Guarujá, no Brasil, cuja experiência poderá ser muito útil para Portugal. Estamos também envolvidos no novo aeroporto de Lisboa, em Alcochete, nomeadamente nos estudos de engenharia que a ANA entregou ao Governo, em consórcio com outras empresas nacionais e internacionais. Este é um dos maiores projetos aeroportuários do mundo em desenvolvimento neste momento, e requer que se juntem os melhores profissionais para entregar a infraestrutura da melhor forma possível.