O Bankinter considera que Portugal é um dos seus mercados estratégicos, com potencial para desenvolver negócios de elevado valor acrescentado. “No Bankinter Investment estamos a entrar numa nova etapa de maior escala e maturidade, e a nossa ambição é continuar a ampliar capacidades e presença internacional onde quer que encontremos oportunidades que se encaixem no nosso modelo”, afirmou fonte oficial do banco. “Portugal, tal como Espanha, é visto como parte natural desse desenvolvimento, com os clientes portugueses a já terem acesso a veículos de investimento alternativo”, acrescentou. O banco espanhol diz que “esta estratégia levou o Bankinter a tornar-se o maior operador no negócio de investimento alternativo na Península Ibérica”.
O Bankinter apresentou nesta quinta-feira os resultados do primeiro semestre de 2026, revelando um lucro líquido consolidado de 605 milhões de euros, um aumento de 12% face ao período homólogo. Em Portugal, a operação do banco espanhol registou um resultado antes de impostos de 114 milhões, um crescimento de 9% em comparação com o primeiro semestre de 2025, representando 13,4% do total.
Em declarações ao Jornal Económico, o banco abordou diversos temas sobre a sua estratégia e o setor financeiro, para além do crescimento do Bankinter Investment em Portugal falou da visão sobre a concorrência de novos players e a necessidade de fusões bancárias na Zona Euro.
Relativamente a uma possível desaceleração do crédito hipotecário em Portugal devido às novas recomendações do Banco de Portugal, o Bankinter não antecipa um impacto relevante. “Não vemos um impacto relevante sobre as nossas perspetivas de crescimento neste país porque sempre aplicámos políticas mais prudentes do que o setor, pelo que estas novas medidas encaixam nas que já aplicava o banco”, explicou. O banco afirma que manterá a sua ambição de crescimento e não prevê uma redução no ritmo das operações hipotecárias.
Sobre a concorrência de bancos pan-europeus como a Revolut e a Trade Republic, o Bankinter vê a competição como um fator positivo que impulsiona a inovação. “A concorrência é sempre positiva porque impulsiona a inovação. Neste caso, tratam-se de novos concorrentes que seguimos muito de perto e que nos obrigam a continuar a melhorar. Mas, de momento, não representam uma ameaça real, como vemos nos nossos números de atividade comercial”, diz.
O Bankinter diz que valoriza positivamente o relatório da Comissão Europeia que defende maiores fusões bancárias na Zona Euro e a simplificação regulatória. O banco acredita que a Europa necessita de uma banca sólida, resiliente e mais competitiva, capaz de financiar o crescimento, a inovação e os grandes investimentos necessários para a economia europeia. O banco considera que existe margem para reduzir ineficiências decorrentes da fragmentação do mercado europeu e da acumulação de requisitos regulatórios, salvaguardando sempre os princípios de estabilidade financeira e de proteção dos depositantes. “A simplificação regulatória não deve ser entendida como menos supervisão, mas sim como uma regulação mais proporcionada, mais homogénea e mais eficiente. Uma Europa financeira mais integrada ajudaria os bancos a competir melhor à escala global e a financiar mais famílias e empresas”, concluiu.