A Comissão Europeia e os operadores de telecomunicações do ‘Velho Continente’ estão em polos opostos em relação à possível exclusão da chinesa Huawei e ao preço a pagar como consequência desta decisão para as telcos da Europa.

Se por um lado a entidade liderada por Ursula von der Leyen mantém-se firme no sentido de avançar com a exclusão da Huawei de todas as operações europeias, as operadoras de telecomunicações europeias tentam atrasar e evitar ao máximo esse processo, escreve o ‘Le Monde’ esta segunda-feira.

Bruxelas escuda-se na lei de cibersegurança para robustecer a sua pretensão de excluir a gigante chinesa de equipamentos de telecomunicações, juntamente com a também chinesa ZTE, das redes do continente europeu.

A explicação da resistência das operadoras de telecomunicações europeias está sobretudo relacionada com os custos avultados que teriam caso tivessem que substituir milhares de antenas 5G e outros equipamentos de internet fixa.

Agora, estas operadoras já têm um valor com o qual podem argumentar a sua oposição à exclusão da Huawei do panorama europeu das telecomunicações. Um estudo realizado este mês pela GSMA Intelligence (que pertence à GSMA, a associação global de operadoras móveis), a pedido das grandes operadoras europeias (a francesa Orange, a germânica Deutsche Telekom, a britânica Vodafone e a espanhola Telefónica) colocou um valor nos receios destas telcos: custos entre 30 a 40 mil milhões de euros.

Estes custos, apelidados de ‘consideráveis’, já suplantam de forma significativa a estimativa que era apresentada pela Comissão Europeia. No final de janeiro, um relatório de Bruxelas apontava que a substituição de antenas e outros equipamentos teriam um custo entre 3,4 e 4,3 mil milhões de euros ao longo de três anos. Sobre estes números de janeiro, o estudo da GSMA Intelligence destaca que os mesmos ‘não se baseiam em dados das operadoras e não foram validados de forma independente’.