Em uma entrevista exclusiva ao Jornal Económico, o Chief Commercial Officer da Kaizen Gaming, empresa detentora da marca Betano, abordou diversos temas estratégicos, desde parcerias globais até o futuro da regulação no setor de apostas esportivas.

Parceria com a FIFA: uma relação de confiança

Desde 2022, a Betano é o primeiro operador de apostas desportivas a firmar uma parceria com a FIFA. Segundo o executivo, a decisão foi vista com ceticismo pela indústria, mas a empresa sempre se posicionou como um operador licenciado e comprometido com o jogo responsável. “Conquistar a confiança da FIFA e ultrapassar o seu rigoroso processo de due diligence deu a ambas as partes uma nova confiança no potencial e no futuro desta categoria”, destacou.

O Mundial do Catar 2022 foi um aprendizado, permitindo à Betano balancear oportunidade comercial com responsabilidade. Já o FIFA Club World Cup 2025, nos Estados Unidos, serviu como teste para a estratégia de ativação antes do grande evento: o FIFA World Cup 2026, onde a empresa atua como Tournament Supporter.

Retorno de patrocínios: métricas e intangíveis

Com um portfólio que inclui FIFA, Bayern de Munique, Flamengo, River Plate e Tottenham, a Betano mede o retorno com base em KPIs definidos previamente. “Se o foco estiver no aumento da notoriedade da marca, os indicadores serão diferentes daqueles utilizados quando o objetivo é impulsionar a aquisição de clientes”, explicou. Ferramentas tecnológicas permitem monitorar exposição, share of voice e alcance de audiências, mas o executivo reconhece que dimensões como credibilidade e impacto emocional são difíceis de quantificar.

Estratégia global com adaptação local

A campanha para o Mundial 2026 foi lançada em 14 países, com adaptações locais, seguindo uma abordagem de cocriação entre a sede em Atenas e as equipes regionais. “Somos uma marca global com uma forte identidade local”, afirmou.

Mercados menores e regulação

Ao entrar em mercados como Gana e Equador, a Betano aproveita sinergias de infraestrutura e tecnologia desenvolvidas em grandes praças como o Brasil. “O custo incremental de operar nestes países é muito diferente para nós do que seria para um operador a iniciar atividade de raiz”, destacou. Sobre a regulação, o executivo foi enfático: “Até hoje, nenhuma alteração legislativa colocou em causa a sustentabilidade do nosso modelo de negócio”. A empresa defende regras aplicadas de forma consistente a todos e combate ao mercado ilegal.

Futuro: expansão geográfica e patrocínios

A Betano descarta, por ora, entrada nos Estados Unidos, citando riscos elevados e custos significativos. A prioridade é reforçar a posição nos mercados atuais e continuar a expansão na América do Sul e África. “A nossa ambição é estar entre os três principais operadores em todos os mercados onde atuamos”, revelou. Em relação a aquisições, a empresa foca no crescimento orgânico e no desenvolvimento de tecnologia proprietária, mas não descarta parcerias estratégicas.