As lontras Amália e Eusébio fizeram as delícias dos visitantes do Oceanário durante anos, onde foram as primeiras lontras-marinhas. Esta espécie é o mamífero mais pequeno e mais recente nos oceanos, onde vive há ‘apenas’ cinco milhões de anos, estando em perigo de conservação.
O Oceanário conta com mais de oito mil animais e 500 espécies de plantas – entre tubarões, raias ou o icónico peixe-lua – com o calor e frio a virem de uma rede subterrânea com mais de 90 quilómetros de extensão.
Este é apenas um exemplo dos fins a que se destina a rede de frio e calor do Parque das Nações em Lisboa. Depois de um concurso internacional lançado pelo Estado português, a Verdai sucedeu à Climaespaço que construiu e geria a rede desde a Expo 98, ambas as sociedades detidas pelos franceses da Engie. A concessão tem um prazo de 15 anos.
“A Verdai é um novo ciclo para a rede. A nossa ambição agora é introduzir ainda mais eficiência e: descarbonizar, descarbonizar, descarbonizar. E estarmos mais próximos da comunidade”, disse ao Jornal Económico a presidente da Verdai, Ema Furtado.
Com 90 quilómetros de extensão, esta rede leva frio e calor às casas e empresas de milhares de pessoas no Parque das Nações num total de 150 edifícios, através de água quente (para aquecimento e águas quentes sanitárias) e água arrefecida (ar condicionado/refrigeração).
A companhia estima investir 18 milhões de euros na rede até ao final de 2027.
Para a produção de frio e calor, a Verdai conta com uma central em pleno Parque das Nações: “aqui produzimos energia térmica que é distribuída por galerias e redes até cada um dos edifícios que vai refrigerar e climatizar, consoante a necessidade de cada um dos edifícios”.
A rede conta com dois mil clientes, entre famílias, empresas, colégios ou hotéis. O Hospital CUF Descobertas, o Meo Arena, a Feira Internacional de Lisboa ou o Centro Comercial Vasco da Gama destacam-se.
A central usava gás, mas a empresa decidiu apostar na eletrificação total, recorrendo a garantias de origem de energia renovável. As máquinas da central são também arrefecidas usando a água do rio Tejo.
“Temos também uma ambição grande de digitalizar, o que vai permitir ter contadores inteligentes, algoritmos integrados que permitem uma operação preditiva, tudo isto vai criar eficiências, que criam valor para o cliente”, segundo Ema Furtado que revela que as tarifas caíram mais de 20% desde que assumiu a rede em abril devido aos ganhos de eficiência.
“Durante 15 anos a concessão é nossa. Estamos aqui para servir, para dar conforto térmico a quem faz do Parque das Nações o seu quotidiano”, diz a gestora. “A rede é algo muito vantajoso para uma cidade, porque traz várias vantagens, com uma produção centralizada que dá uma eficiência que beneficia logo todos de uma vez”.
Sobre os picos de consumo, destaca que “o calor é mais necessário no inverno, muito embora as águas quentes sanitárias sejam mais usadas durante todo o ano, enquanto que o frio tem picos no verão. Se bem que há edifícios que usam muito frio, como o hospital, ou o Vasco da Gama”.
Apesar do sucesso desta rede, e de ter sido pioneira em Portugal quando foi instalada na construção do Parque das Nações depois da Expo98, o facto é que continua a ser a única rede deste género em Portugal. “Faz sentido onde haja densidade populacional significativa”, segundo a gestora.