O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, encontrou-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em um encontro classificado pela porta-voz da presidência, Karoline Leavitt, como “produtivo e positivo”. No entanto, antes dessa declaração, a imprensa norte-americana registrou que Trump demonstrou irritação com Netanyahu por ter divulgado detalhes sobre os temas que seriam discutidos. Esse é mais um sinal de desgaste na relação entre os dois líderes.

Questionado sobre reportagens que afirmavam que Netanyahu queria falar sobre a Montanha Pickaxe, que supostamente abriga um dos principais complexos nucleares do Irã, Trump respondeu: “Eu não preciso que Bibi me diga isso. Bibi está me dizendo isso porque quer que eu continue envolvido”. Os encontros ocorrem em um momento de divergências entre Washington e Tel Aviv sobre o rumo do conflito no Oriente Médio, agora de algum modo ligado à guerra entre a Ucrânia e a Rússia – por culpa, dizem os iranianos, de Israel.

Segundo a Casa Branca, Trump e Netanyahu discutiram a guerra na Faixa de Gaza, a presença militar israelense em Gaza, no Líbano e na Síria e a situação regional após o conflito com o Irã. Os detalhes ficaram restritos ao encontro, que não foi aberto à imprensa.

A visita de Netanyahu ocorre em meio a sinais de desgaste na relação entre os dois líderes. Desde que Trump voltou à Casa Branca, ambos já se encontraram seis vezes e mantiveram uma aliança próxima, mas, nos últimos meses, surgiram divergências sobre a condução da guerra contra o Irã e sobre a estratégia norte-americana para reduzir a tensão no Oriente Médio.

O principal ponto de atrito é a pressão da administração norte-americana para que Israel reduza sua presença militar nas regiões circundantes – com o Líbano e a Síria. Netanyahu afirma que não pretende retirar as tropas enquanto o Hamas não estiver completamente desarmado. A intenção de mudar o regime de Teerã é também, para Netanyahu, o fim último da guerra; dessa forma, não apoiará qualquer retirada antes que isso aconteça.

Após o encontro, o líder israelense seguiu com Trump para o funeral do senador republicano Lindsey Graham, de origem judaica, que faleceu recentemente.

Encontro com Zelensky
Antes, Donald Trump reuniu-se a portas fechadas com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Da agenda constavam novas propostas para um cessar-fogo entre Ucrânia e Rússia. Segundo a imprensa norte-americana, Zelensky buscou obter o acordo de Trump para a compra e atribuição de licenças de produção local de mísseis Patriot, considerados vitais para conter os bombardeios russos. Ambos debateram ideias para relançar o processo de paz e a comunicação futura entre suas equipes. Depois, Zelensky seguiu para o Capitólio para reunir com um grupo bipartidário de senadores sobre um projeto de lei para aplicar tarifas e sanções severas a países que compram petróleo e gás da Rússia.

Líbano discutido em Roma
Autoridades israelenses e libanesas vão se reunir novamente em Roma na próxima semana para dar continuidade à implementação de um acordo mediado pelos Estados Unidos, com o objetivo de alcançar uma paz abrangente entre os dois países. As negociações ocorrerão de 4 a 6 de agosto, após o lançamento das primeiras ‘zonas piloto’ no sul do Líbano, onde os militares israelenses transferiram o controle para as forças armadas libanesas. As conversas técnicas focarão em promover a implementação completa do acordo-quadro, incluindo a expansão do processo da zona piloto e a resolução de questões fronteiriças.

Preço do brent em contenção
Ao final do dia, o preço do petróleo brent estava cotado a pouco mais de 83,3 dólares, bem longe do pico de 100 dólares da semana passada. Analistas indicam que tanto o Irã quanto os Estados Unidos estão empenhados em diminuir a tensão no Estreito de Ormuz. No Mar Vermelho, a situação permanece tensa, com superpetroleiros vazios mudando de rota para o porto egípcio de Sidi Kerir, no Mediterrâneo, para recolher crude saudita via oleoduto. A Lloyd’s List confirmou que operadores estatais chineses de navios-tanque decidiram retirar seus superpetroleiros das rotas do Mar Vermelho, priorizando a segurança. O número de embarcações cruzando a entrada do Mar Vermelho caiu cerca de 50% em comparação com a média do trimestre anterior, devido ao cerco dos houthis. O ministro dos Negócios Estrangeiros do governo iemenita alertou que os houthis pretendem replicar no Estreito de Bab el-Mandeb o modelo de controle total que o Irã exerce no Estreito de Ormuz.