O presidente executivo do BCP, Miguel Maya, considerou esta quarta-feira que as novas regras macroprudenciais do Banco de Portugal deverão ter apenas um impacto limitado na concessão de crédito à habitação, estimando uma redução da procura na ordem dos 5%, ao mesmo tempo que defendeu que o banco continua preparado para apoiar os jovens na compra de casa.

Miguel Maya, CEO do BCP, defendeu a garantia pública para o crédito à habitação jovem (até aos 35 anos), que considera uma óptima solução para quem não tem 10% para dar de entrada na compra de casa para habitação própria e permanente. Mas fez questão de sublinhar que percebe a medida macroprudencial do Banco de Portugal, em nome da prudência.

“O peso da garantia é grande”, afirmou, defendendo que a medida “é uma importante ajuda” para jovens que não dispõem da entrada inicial de 10%, embora não resolva o problema estrutural da habitação em Portugal, que é um tema de oferta de casas (falta de oferta). O responsável acrescentou que a crescente procura reflete também a capacidade de resposta do banco.

A revisão da recomendação macroprudencial do Banco de Portugal reduziu de 50% para 45% o limite máximo da taxa de esforço dos mutuários. Sobre as novas recomendações macroprudenciais do Banco de Portugal, que entram em vigor no sábado, Miguel Maya disse compreender a decisão do supervisor e afirmou que o BCP faz “uma leitura positiva” das alterações.

O CEO do BCP disse que não acreditava que tivesse um grande impacto no crescimento do crédito à habitação, ainda assim estima que tenha um impacto que pode ser uma queda de 5% de todo o crédito à habitação própria e permanente (não apenas o dos clientes elegíveis para a garantia).

Na sessão de perguntas e respostas que se seguiu à apresentação dos resultados do primeiro semestre, Miguel Maya afirmou que a instituição já utilizou cerca de 68% da quota de 335,4 milhões de euros atribuída ao BCP ao abrigo da garantia pública destinada a jovens até aos 35 anos na compra da primeira habitação, acima dos cerca de 56% de utilização a nível nacional que disse ter visto divulgados. Segundo o banqueiro, a garantia representou 41% da produção de crédito à habitação própria permanente do banco no semestre, face a cerca de 20% no período homólogo.

“O peso da garantia é, no caso do Banco Comercial Português, neste primeiro semestre de 2026, na produção de crédito à habitação própria e permanente, de 41%”. No primeiro semestre do ano passado, esse peso rondava os 20%. “Temos hoje cerca de 68% da garantia utilizada”, precisou, sublinhando o “empenho forte em apoiar os jovens”, disse.

O BCP já utilizou assim cerca de 68% da verba de 345 milhões de euros que lhe foi atribuída no âmbito da garantia pública destinada a facilitar o acesso dos jovens até aos 35 anos à compra da primeira habitação própria e permanente através de crédito bancário. Com base nos dados apresentados, o Millennium BCP terá já concedido mais de 1,5 mil milhões de euros em financiamento ao abrigo deste mecanismo.